quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

HÁ COISAS QUE SÃO RARAS, OUTRAS NEM POR ISSO

LÁ POR SER DIA DO VIOLINO não nos dêem mais música.
HÁ LADRÕES QUE PARA SACAREM dinheiro precisam de rebentar com caixas multibanco a coberto das sombras das madrugadas, mas fazem sempre enorme barulho e são logo perseguidos e presos, passado mais ou menos pouco tempo.
HÁ OUTROS QUE O SACAM sem precisar de rebentar caixa e fazem-no silenciosamente durante anos a fio,até que um dia alguém resolve bater com a língua nos dentes e então é um estrondo do caneco.
MAS, AO CONTRÁRIO dos primeiros não vão logo presos e resolvem a coisa andando mais uns anos por audiências nos tribunais, de requerimentos em requerimentos, uns processos até prescrevem e outros não se escrevem...
HÁ COISAS QUE SÃO RARAS, outras nem por isso. 
RARÍSSIMAS é o nome de uma das coisas que nem por isso.
A senhora que geria a instituição decidiu que devia ter um salário razoavelmente razoável, que também devia ser paga pelas viagens que gostaria de fazer que ainda teria de andar num 'pópó' de uma 'marca executiva' que devia vestir bem e comer ainda melhor, por isso, no silêncio dos gabinetes, durante anos e anos, foi rebentando com a escrita da instituição que dirigia sem que ninguém, ao que parece, tenha dado por isso....de repente, o escândalo estrondou e agora toda a gente 'com a corda ao pescoço', incluindo a dita senhora, dá entrevistas e fala para os micros televisivos, dizendo que as contas estão auditadas e certas, que nunca se fez nada fora da lei, que nunca foi detectada nenhuma acção fraudulenta. 
Estamos então no lodaçal em que coisas que deviam ser RARÍSSIMAS são 'nem por isso'. 
E, o piro disto tudo, é que a gente vai-se habituando a estes 'violinos' que nos querem dar uma melodia muito melodiosa ou nem por isso.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

CHAMAR NOMES ÀS COISAS TEM IMPORTÂNCIA

Última notícia de uma estação "televisionária", afirma que a ANA depois de ter andado numa correria aqui por cima, dirigiu-se para sul a bordo do Alfa que deverá já ter chegado à gare do Oriente; tem um ar bastante forte e veste gabardina tipo agente da CIA e nos pés umas galochas vermelhas sem salto que lhe permitem movimentar-se a grande velocidade.
Por aqui andou, de um lado para o outro, desde o meio da tarde, soprando com mais intensidade a partir da hora do jantar só para não deixar a malta comer descansada!
Na 'ilha' deixou-nos às escuras por três vezes, abanou-nos as janelas e a porta com tal violência que tive que lhe gritar.
- já demos, tenha paciência -
não teve! mandou pelos ares a tampa do depósito da água do Luís Edgar, deixou-me o jardim com dois vasos tombados e um partido e os amores perfeitos, menos perfeitos, o carro lavado por fora e (se calhar) também por dentro, duas fileiras de gotas por cima da porta da casa de banho e um pinga pinga a meio do quarto e a janela da cozinha a precisar de um parafuso novo no fecho.

Espero que aí pelo sul, a nossa 'amiga' vá perdendo força pois por aqui trabalhou bastante; estamos num tempo de excessos e eu que não sou crente, tenho mais facilidade em saber quem hei-de criticar....o culpado disto é o TRUMP!|!!
O homem semeia ventos por todo o lado mas são os outros que colhem as tempestades....
Até quando conseguirá ele segurar o penteado!?


PASSOU A ANA, VEM AÍ O BRUNO. 

Chamar nomes às coisas tem a sua importância. Atribuir nomes próprios a fenómenos naturais é tradição mas mais para os lados das Américas, a furacões, tornados, etc.
Não estávamos habituados a ter neste pedaço tão posto em sossego, tais fenómenos naturais extremos com necessidade de ter nome próprio.
Ontem, a ANA foi a força da natureza que iniciou a moda Varreu o pedaço posto em sossego com a violência de mulher traída em zanga com marido que chega tarde a casa vindo de outras tempestades e ela à espera, para partir a loiça toda.
A zaragata durou madrugada dentro e só amainou já o dia começava a clarear.

POIS PARA HOJE, está previsto o BRUNO.bater-nos à porta.
Deixem que lhes apresente o rapaz.
Menos dramático que a ANA, é contudo mais permanente e duradoiro que a menina, por isso, parece que vem para ficar não umas horas mas uma semana, pelo menos.
Com proveniência da região do norte da Europa, parece que tem um parentesco (para aí neto) com o velho barrigudo das barbas que tem a mania de, a bordo de um trenó, andar a distribuir encomendas.
O BRUNO vem a pé e parece que a única coisa que tem para distribuir é frio e alguma água..preparem-se, pois, que essa de gelados só no Verão vai acabar.
Gelados vamos nós ficar, mesmo sem pauzinho espetado no..

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

A OBRA DO REI MAGNÂNIMO

JÁ A TERRA VIAJOU 300 VEZES AO LONGO DA SUA ELÍPTICA SOLAR E DEU MAIS DE 49.500 VOLTAS SOBRE SI PRÓPRIA DESDE QUE FOI LANÇADA A PRIMEIRA PEDRA A 17 DE NOVEMBRO DE 1717
promessa que D. João V, o Rei Magnânimo fizera pela descendência que a rainha Maria Ana de Áustria, viesse a dar-lhe e foi o nascimento da primeira filha, Maria Bárbara viria a ocasionar o cumprimento da promessa.
Obra de referência do chamado 'período joanino' numa época de monarquia absoluta, a obra nasce por oportunidade económica, usando o ouro do Brasil e política dando uma marca ao reinado e mudando o paradigma das artes do Reino.
Destinado à ordem dos Franciscanos, o Convento foi pensado inicialmente para 13 frades mas o projecto foi sendo sucessivamente alargado para quarenta, oitenta e finalmente uma comunidade de trezentos religiosos, ao qual foi acrescentada a estrutura de um palácio real.
Johann Francis Ludovice, ourives, arquitecto e engenheiro militar prussiano que estudara arquitectura em Florença dirige a obra até 1730 mas será o seu filho Johann Peter que a concluirá, 52 anos depois.
Para os altares da Real Basílica, capelas, áreas conventuais, portaria e refeitório, foi encomendada uma colecção de pintura religiosa do século XVIII onde avultam obras dos pintores italianos Mazucci, Giaquintto, Trevisani e Bettoni e de portugueses como Vieira Lusitano e Inácio de Oliveira Bernardes.
A estatuária da Basílica dos grandes mestres italianos Monaldi, Corsini e Rusconi, constituindo a mais significativa colecção de escultura barroca italiana fora de Itália, a qual inclui ainda os seus estudos em terracota, bem como a produção da Escola de Escultura de Mafra, aqui criada no reinado de D. José I.
Por vontade do Rei, a cerimónia da sagração da Basílica foi realizada no ano de 1730, a 22 de Outubro, data do seu 41º aniversário, que nesse ano caía a um domingo, dia destinado pelo ritual da Igreja para esse fim, embora as obras ainda estivessem bastante atrasadas. Trezentos e vinte e oito frades ingressaram então na comunidade de Mafra, vindos de diversos conventos na região mandados extinguir por Decreto Real e também do Convento de São Francisco da Arrábida.
O romance de José Saramago, "Memorial do Convento" é também a história do grande amor de Baltazar, jovem pedreiro por Blimunda mulher dotada do estranho poder de ver o interior das pessoas. Os dois conhecem um padre, Bartolomeu de Gusmão, que entrou na história como pioneiro da aviação e iniciam a construção de um aparelho voador, a Passarola que sobe em direcção ao Sol, sendo que este atrai as vontades, que estão presas dentro da Passarola. Blimunda, ao ver o interior das pessoas, recolhe as suas vontades, descritas pelo autor como nuvens abertas ou nuvens fechadas.
Bartolomeu foge para Espanha perseguido pela Inquisição que o condenara por heresia por voar o que era contrário às normas divinas. Blimunda e Baltasar escondem os materiais de manutenção da passarola e a própria fica dissimulada por uns arbustos em Montejunto. Um dia, Baltasar fica preso à passarola, enquanto fazia a sua manutenção, os cabos que a impediam de se elevar nos céus rebentaram, tendo sido levado pelos ares. A aeronave despenhou-se e Baltasar foi capturado pela Inquisição, acusado de bruxaria. No epílogo da acção, Blimunda recolhe a vontade de Baltasar enquanto este é condenado à fogueira.

Em "Memorial do Convento", as personagens são de dois grupos opostos. A aristocracia e o alto clero que representam o grupo do poder, enquanto o povo e os oprimidos, que representam o grupo do contra-poder. Os primeiros são caracterizados pela falsidade, ridículo, ostentação e indiferença pelo sofrimento humano e crueldade mal disfarçada de religiosidade. Os segundos são os heróis esquecidos pela História oficial, que ganham relevo e rebeldia através da ficção do romance.
O Palácio possui dois carrilhões mandados fabricar em Antuérpia e Liége com um total de 98 sinos, sendo os maiores existentes no mundo, cobrindo cada um deles uma amplitude de quatro oitavas (carrilhões de concerto) realizados por um dos mais respeitados fundidores de sinos, Nicolaus Levacher de Liége que deixou, em Portugal uma tradição de fundição que perdurou por mais de um século após a conclusão dos trabalhos em Mafra. O conjunto inclui o maior sistema de relógios e de cilindros de melodia automática, conhecido em ambas as torres (quatro cilindros rotativos com cavilhas e alavancas) um marco mundial quer da concepção de música automática quer da relojoaria, capazes de tocar cerca de dezasseis diferentes peças de música, em qualquer momento.
No entanto, é a sua biblioteca o maior tesouro de Mafra, chão em mármore, estantes em rococó e uma colecção de mais de 36 000 livros com encadernações em couro gravadas a ouro e prata, incluindo uma segunda edição de Os Lusíadas.  Abrange áreas tão diversas como medicina e farmácia, história, geografia e viagens, filosofia, teologia e direito canónico e civil, literatura, matemática e história natural. 
Muitos deste volumes foram encadernados na oficina local. A biblioteca de Mafra é também conhecida por acolher morcegos, que ajudam a preservar as obras.
Classificado Monumento Nacional em 1910 foi finalista da iniciativa 7 Maravilhas de Portugal em 2007.




domingo, 29 de outubro de 2017

PORQUE AMANHÃ É DOMINGO


AOS DOMINGOS íamos - o pai, a mãe e eu - almoçar a casa dos avós maternos que ficava para perto do largo da Graça, num rés do chão esquerdo, alto porque a rua era bem inclinada mas o prédio não. 
A viagem de eléctrico só valia a pena sentado no banco dos 'palermas', aquele banco junto à plataforma, com costas para a janela; eu ficava a olhar para quem estava no banco em frente; rostos silenciosos e inexpressivos; se olhavam para mim, escolhia entre um cândido sorriso e uma careta mais azeda conforme a cara do interlocutor me agradava ou não. 
Uns respondiam; outros, continuavam 'palermas'. 
A minha mãe que temia estas terríveis falhas na educação do 'isso parece mal', repreendia-me com um olhar furioso, enquanto o meu pai disfarçava um sorriso, escondido atrás do Diário Popular, com as notícias da véspera.
À tarde, depois do almoço,- sempre bacalhau cozido naquela enorme travessa de cavalinho verde esborratado, as batatas e feijão frade, ai feijão frade e ai batatas que me salvavam - se o tempo o permitia, o passeio até ao miradouro da senhora do monte. 
E era então que o meu avô me sentava no colo e conforme lhe ia apontando o casario, os barcos no rio, o castelo, o mosteiro, a sé catedral, o terreiro do paço, contava-me sempre qualquer história relacionada com ele.
Estava uma manhã de Sol quando me vi sentado no colo do meu avô, num banco de jardim virado para o rio, a ouvir-lhe curioso a história; mas tudo se evaporou quando acordei na obscuridade do quarto...
Da próxima vez que for a Lisboa, vou passar por lá!

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

E CONNOSCO FOI MAIS OU MENOS ISTO...

O CONDADO PORTUCALENSE foi a prenda do casamento de Henrique de Borgonha com Teresa de Leão, filha de Afonso VI de Leão e Castela. 
Henrique um cruzado que viera ajudar cristãos das Vascongadas e Astúrias contra os infiéis de Tarik, o Brilhante; além de ter sido heroicamente premiado ainda se apaixonou por Teresa, a filha mais nova do rei e foi assim que chegou a Conde de Portucale. Davam-se todos tão bem que Afonso Henriques teve o nome do avô materno e Henriques, filho de Henrique, claro.
Ainda que sob a tutela do pai, Teresa era mulher decidida e acabou por tomar conta do condado quando em 1112, o marido morreu. 
Mas, Teresa também era jovem e viúva ardente. 
Sentindo-se só, já que o jovem Afonso andava a aprender a ser gente com o fiel Egas, com os Invernos gelados e a cama fria, acabou por piscar os dois olhos a Fernando Peres, um galego de Trava, com o qual desejava juntar os trapinhos.
Mas o príncipe Afonso Henriques, então com 18 anos, é que não gostou nada da história e com mais uma rapaziada amiga revoltou-se, e em São Mamede depois dado uma carga de porrada nas forças que o padrasto juntara, ainda segundo rezam as crónicas mais ousadas deu, pelo menos, uma chapada na mãe, uma falta de respeito que lhe valeu a fúria de uma data de gente à volta.
Mas, Afonso declarou o território independente e durante 14 anos, foi raro dia em que não houve zaragata com galgos, leoneses, castelhanos, e Afonso VII, primo direito de Afonso Henriques, que estando pelo lado da tia, nem queria ouvir falar dele quanto mais de independências.. 
Até que a 5 de Outubro de 1143 em Zamora, cansados de tanta treta e ainda por cima com os mouros à perna, lá se entenderam para fazerem paz e como selar melhor esse entendimento senão dar a independência, sob os auspícios do enviado papal, o Cardeal Guido de Vico?. Afonso radiante com o desfecho, logo pôs bandeira em Guimarães embora só em 1179, com a bula 'Manifestis Probatum', o papa Alexandre II tivesse reconhecido com efeitos retroactivos a independência da nova nação PORTUCALE.

COMO POSSO NÃO SIMPATIZAR com a causa 'catalana' e a sua (perigosa) coragem de quererem a independência se já lutam por ela há quase tantos anos como Afonso Henriques lutou pela nossa? 
E também não me esqueço que foi graças a eles que em 1640 nos libertámos dos espanhóis...não fora Filipe IV andar às voltas com os independentistas de Catalanya e ter desviado para lá as tropas que estariam destinadas a vir até cá subjugar-nos e hoje talvez ainda fôssemos uma 'Andaluzia' ao alto!
Pelo menos não sou ingrato!