sexta-feira, 18 de agosto de 2017

UM SALTO PARA A MORTE

PRIMEIRO FOI O SOM de uma ordem gritada e logo repetida, vinda de um posto de vigia do muro que cortou o silêncio da madrugada; depois foi o som de um disparo e logo de outro a seguir e, por fim, o baque dum corpo que caía na calçada, uns trinta metros mais à frente. Naquele alvorecer de 18 de Agosto de 1962, um ano e quatro dias após a conclusão da edificação do muro, Gunter Littin tinha saltado para a morte. Tinha vinte e um anos e era carpinteiro numa oficina de móveis, a meio da Zimmerstrasse.
O VELHO PRÉDIO de três andares ainda assumia no telhado e nas fachadas a violência das bombas que tinham caído dezassete anos antes nas vésperas da entrada das tropas soviéticas. Gunter Littin conhecia.o movimento dos soldados no posto de vigia, a uns trinta metros do local de trabalho, no ângulo do muro onde a Zimmerstrasse fazia à esquerda um ângulo de quase noventa graus. Às quintas feiras, cerca das seis da manhã, um camião do exército parava junto ao posto para descarregar caixotes que deveriam conter alimentos e munições para os três guardas que eram rendidos de seis em seis horas e, porque parava precisamente no ângulo da curva, o soldado descia da guarita para o controlo dos papéis enquanto os outros dois se ocupavam da descarga. Durante uns cinco a sete minutos, não mais, aquele sector do muro, que quase encostava ao prédio, estava sem vigilância.
O PLANO ERA SIMPLES! Gunter e o seu amigo Hanz Polloeck teriam de ficar na oficina na noite de quarta feira depois desta fechar. Depois, à hora do abastecimento, sairiam pela porta das traseiras do segundo andar que outrora tinha uma escada de serviço até ao rés do chão que agora era apenas uma cascata ferros retorcidos pendurados junto à empena mas mantivera o patamar que se aproximava do muro. Era daí que saltariam para cima do bordo do muro, tentado evitar a fileira de arame farpado, um salto de cerca de metro e meio a mais de seis metros do solo e depois um novo salto para o muro exterior e, por fim percorrer os cerca de vinte metros até que seria possível saltar para o lado ocidental, para cima de um monte de entulho que permanecia há duas semanas junto ao muro, que pertencia a uma obra cujo guarda os socorreria naturalmente.
GUNTER tinha perdido o pai, soldado da Wehrmacht, desaparecido durante o cerco a Estalinegrado e a mãe morrera em plena rua, agarrada a ele para o proteger, num bombardeamento durante a guerra. Foi apanhado pela tripulação de um tanque soviético uma semana após o fim da guerra quando, exausto de fome e sede, deambulava pelas ruas de Berlim. Tinha pouco mais de dois anos de idade. Enviado para um centro de refugiados de guerra e mais tarde para uma escola em Leipzig onde permaneceu até aos dezoito anos. Foi aí que conheceu Hanz, também órfão de pai e mãe que tendo tirado o curso de carpinteiro, como ele, acabaram por ir trabalhar para a oficina de móveis na Zimmerstrasse. Planeavam, há alguns meses, aquela fuga, depois de um amigo ter fugido, incentivando-os a fazerem o mesmo.
NA QUARTA FEIRA, véspera do dia D, deixaram-se ficar propositadamente até mais tarde e quando todos se tinham embora despediram-se do encarregado e mal viraram a esquina do prédio, treparam pelos ferros retorcidos e entraram no primeiro andar. Ouviram o homem correr a pesada porta de ferro da oficina, no rés do chão e depois subiram pela escada interor até ao segundo andar que ainda tinha partes destelhadas e as paredes suportadas por umas vigas de madeira. estava em reparação para depois fazer dali escritórios, diziam. A noite foi demasiado longa e nenhum conseguiu dormir, pelo menos, com a tranquilidade suficiente para que quando ouviram o motor do camião de abastecimento, Hanz tremia e, com ar de pânico, disse a Gunter que não seria capaz. Tinha pensado melhor, toda a noite, e Gunter que fosse pois ele não iria conseguir e só o prejudicaria na fuga. Gunter insistiu tanto que Hanz fingiu dispor-se mas com a condição de ser Gunter o primeiro.
O CAMIÃO PAROU de motor a trabalhar, o soldado vigias desceu da guarita e abeirou-se da porta do lado do motorista ficando assim encoberto e os outros dois guardas saíram da porta do posto e começaram a carregar os caixotes. Eram três e o primeiro parecia muito pesado. Gunter já estava agachado no patamar e formou o primeiro salto indo cair silenciosamente no bordo do muro, abafando um gemido de dor quando teve de se agarrar ao arame farpado com ambas as mãos, apesar das velhas luvas de cabedal que tinham pertencido ao pai quando tivera uma moto que ele nunca conheceu mas que tinha guardado uma foto do pai e da mãe num passeio que fizeram juntos. Hanz estava no patamar da escada enconstado à parede sem se mexer. Gunter viu os seus olhos aterrorizados e percebeu que o amigo não conseguiria mas já não podia voltar atrás. Fez-lhe sinais com o braço mas Hanz não se movia, cosido à parede do prédio. O dia nascia!
GUNTER recomeçou a andar em cima do muro e ainda olhou por cima do ombro num último sinal de adeus ao amigo mas já não o viu no patamar. O camião começou a mover-se e foi quando ouviu o grito da sentinela. Estava a formar o salto para o muro exterior quando sentiu que uma espécie de prego incandescente lhe tinha entrado na coxa esquerda e logo a seguir novo impacto a meio das costas, junto ao pescoço. Sentiu uma tontura, depois tudo ficou negro e o corpo de Gunter Littin caiu para o outro lado, sem vida.GUNTER LITTIN foi a primeira vítima. O seu amigo Hanz assistiu a tudo, encostado à parede do prédio, abafando no seu próprio terror, a morte do amigo. No dia seguinte, os operários encontraram-no sem vida, pendurado pelo pescoço, numa trave que sustentava o telhado, no segundo andar da oficina.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

O DIA DA PADEIRA DE ALJUBARROTA

O QUE SE PASSARA NO CAMPO DE ALJUBARROTA, na tarde do dia anterior deixara no ar um cheiro de morte e os ecos dos gritos dos feridos e dos gemidos dos moribundos. Quando a noite foi caindo, na claridade trémula das fogueiras percebia-se que muitos preferiram ficar para trás preferindo a pilhagem dos caídos e dos equipamentos, em vez de gastar forças na perseguição de castelhanos esgotados na tremenda derrota e aterrorizados pelo que ainda teriam de enfrentar até sentirem que haviam escapado com vida aos seus ferozes perseguidores.
BRITES ERA MULHER mas o corpo forte e o seu semblante carregado de olhos vivos mas pequenos, sobrancelhas muito espessas e um cabelo farto mas encrespado facilmente faria com que a confundissem com um homem não fosse o trajar. Nascera em Faro numa família muito pobre e humilde, órfã aos vinte anos, desde cedo que andou metida em brigas e aprendeu a manejar a espada e o pau. Toda a gente tinha medo dela pois, como nascera com seis dedos em cada mão, dela se dizia ter sido obra demoníaca. 

Acusada de assaltos e mortes começou a ser perseguida pela justiça e fugiu para Castela mas foi capturada e vendida como escrava. Depois de muitos trabalhos conseguiu fugir ajudada por outros dois escravos portugueses mas uma tempestade afundou em que vinha com outros fugitivos e procurada pela justiça, para evitar ser apanhada cortou o cabelo, disfarçou-se de homem e fez a sua vida como se fosse um almocreve. 
Seis anos de fugas e disfarces, até que encontrou lavrador, homem honesto e bom e casou, tendo aceitado entretanto ser padeira em Aljubarrota.

OS SEIS CASTELHANOS estavam atemorizados, depois de uma noite pelos pinhais, a fugirem dos vigias e dos soldados portugueses. Não sabiam sequer para onde se dirigiam e a preocupação de não se denunciarem, levava-os a despirem as vestes com as cores e brasões inimigos e apenas com umas capas a cobrirem os corpos e descalços mais pareciam uns pedintes ou vagabundos. 

Viram ao longe na aldeia, os gritos de vitória com o povo em festa; grupos de soldados, escorria o vinho em abundância, dois porcos nuns paus a girar em fogueiras e grandes pães muitos pães espalhado sobre padiolas. 
Sombras cosidas às paredes das casas, o medo de serem vistos ali no meio de tanta gente, levou-os àquela casa de aspecto humilde cuja curiosidade era aquela grande chaminé que forçava o telhado. 
Ali se abrigaram, depois de verificarem que a sala ampla e única estava sem ninguém para ganharem novo alento antes de voltarem à fuga de risco para as suas vidas incertas.

BRITES ACABAVA DE CHEGAR puxando o carro depois de mais uma leva de pão quando se apercebeu de movimento estranho no interior, junto ao forno onde cozia o seu pão tão apreciado por aquelas bandas. Logo desconfiou que inimigo deveria ser pois que ladrão tinha muito mais e melhor para roubar, especialmente naquela noite. Olhou para o carro e apenas viu a pá enorme com que raera o forno naquela tarde e nela pegou decidida a dar caça ao que fosse. 

Foi ao entrar que os viu. Dois definhavam encolhidos junto à porta do forno, certamente feridos mas os restantes sacaram de espadas e de paus, de debaixo das capas e dispuseram-se em roda dela, ameaçadores. Certamente não sabiam eles da reputação da padeira e menosprezando a que tinham por presa fácil, logo se enganaram quando a viram crescer num berro assustador e segurando na enorme vara com a pá logo ali despachou três, ficando o outro sem pinga de sangue. No terror que se gerou, a fuga para o sítio errado que a porta da casa era no outro lado e aquela era a porta do forno e a porta para a morte.

ESTA A HISTÓRIA QUE SE TORNOU LENDA e por essa razão esta mulher na região de Aljubarrota ficou conhecida como uma grande e valente mulher “A Valente Padeira de Aljubarrota”. Ainda hoje todos os 14 de Agosto, feriado, ela é lembrada e uma pá que dizem ser a verdadeira vai na procissão, em honra de Brites de Almeida, padeira de Aljubarrota.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

QUANDO O DINHEIRO ACABAR...

PERGUNTA DESCABIDA. DIRÃO MUITOS...
IMPOSSÍVEL, DIRÃO OUTROS TANTOS...
Uma simples nota que se rasga, hoje, é considerado crime pois é destruição de 'moeda' e embora a nota até possa ser de quem a rasgou, é crime na mesma mas, se for um banco central a fazê-lo já não é crime e autorizado por lei, desde que não estejam em circulação ou estejam já de tal forma utilizadas que seja necessário novas.

Mais poderoso que o Goldman Sachs, o BIS Banco International of Settlements ( Banco de Compensações Internacionais ou Banco de Pagamentos Internacionais) com sede em Basileia, na Suíça é responsável por toda a supervisão bancária e visa a cooperação entre os bancos centrais e outras agências na busca de estabilidade monetária e financeira e reúne quase metade dos bancos centrais do mundo. Uma espécie de câmara de compensação dos bancos centrais. Considerado “o banco dos bancos centrais”, constitui um fórum privilegiado para discussão ao mais alto nível de questões relativas ao sistema financeiro internacional e ao papel dos bancos centrais nas economias; organiza reuniões periódicas entre os altos funcionários dos seus membros, para definição de estratégias económicas e tomadas de decisões sobre a política monetária e o sistema financeiro. Além disso, são frequentes os encontros entre os técnicos em que são tratadas questões mais operacionais, como questões judiciais, gestão de reservas, auditoria interna e cooperação técnica.
Pois tem vindo desta instituição 'ecos' do que parece inverosímil, por agora. Acabar com o dinheiro físico na próxima crise financeira do sistema e com razões são simples. tais como dinheiro físico tornou-se um problema com grandes custos de produção e dificuldades depois na sua manutenção, fiscalização e sustentabilidade e, por outro lado, com os avanços tecnológicos tornou-se, a breve prazo dispensável e obsoleto!
Razões mais do que suficientes para estarmos alerta quanto aos sinais e aos passos que vão sendo dados rumo a esse desígnio. Se já hoje, muitas vezes, ficamos contrariados quando não há terminal multibanco em determinada loja onde efectuámos uma compra irrisória pois já nos encantar pelo 'dinheiro de plástico'... cada vez mais dependentes do sistema bancário, os usuários caminharão para um sistema e entregar-se-ão totalmente a ele, ajudando-o como a uma inevitabilidade a dar ainda mais poder a todo o 'mundo financeiro' que se tornará 'dono' de todo o património financeiro de cada um, ainda que possa ser pequeno mas por isso mesmo mais subjugado pelo poder..
A ERA DO DINHEIRO VIRTUAL! 
Está (apenas) a um pequeno passo Será possível? Infelizmente, acredito que sim....
e contará, ainda por cima, com o apoio dos precursores que se apressarão com o seu arrebatado e habitual deslumbre a dar apoio à boa nova!

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

AL KASER, EL KIBIR. A VÉSPERA DA BATALHA

TRISTÃO VAZ ESTÁ ESTA NOITE, que antecede a fatídica batalha, deitado de costas no murete de palanque que ele e outros camaradas estiveram a erguer, durante toda a manhã, debaixo de um Sol abrasador e vento quente que ainda sopra dos lados da cordilheira do Rif, uma planície conhecida por campos de Shuaken, a não mais de três léguas de Alcácer Quibir, abandonada pela população ainda antes da chegada da vanguarda do exército português. Olha as estrelas brilhantes e a lua amarela e oval e tudo lhe parece tão diferente do sitio de onde veio. Ele que sempre vira naquela largueza infinita dos céus do Alentejo, a largura dos seus sonhos, nessa noite os seus olhos parecem-lhe baços, sujos, talvez por se sentir completamente esgotado, talvez porque o sonho não tenha a intensidade de quando partiu e em seu lugar se tenha colocado um terrível pesadelo dos dias vividos e que lhe antecipam a noite seguinte quando aquelas mesmas estrelas e aquela mesma lua voltarem a iluminar aquele chão de deserto, um campo cheio de corpos de soldados e de animais, dispersos pelo imenso areal, coberto de sangue, onde os gritos dos feridos de chagas abertas e os gemidos dos moribundos se confundem e o nauseabundo cheiro dos mortos com o acre da pólvora, paire no ar. É um arrepio que lhe enregela o corpo e lhe despedaça o ânimo. Ainda se ali estivessem os seus dois irmãos. Mas, Diogo é porta-estandarte num terço de espingardeiros sob o comando de D. João da Silveira e encontra-se para sul, a uma boa légua dali e dele nada sabe há mais de dois dias, desde que o corpo de batedores se tinha partido em vários grupos dispersos pelas múltiplas sortidas dos árabes de Mulei Moluco, a que os soldados portugueses já chamavam de diabos brancos pois surgiam do nada e para o nada se evaporavam depois de infligirem algumas baixas a uma tropa esgotada pelo calor, pela fome, pela sede e pela marcha forçada que já contava dez dias e dez noites. De Nicolau apenas sabia que tinha sido evacuado, ferido num recontro mal sucedido pois apanhados, em campo aberto, pelo fogo cruzado de artilheiros árabes dissimulados em dois promontórios de Asilah. Manoel Brás, amigo comum que com eles partira de Évora, disse que o tinha vista numa padiola, coberto de sangue e sem dar acordo, apesar de vivo. Tristão não quer adormecer. São os pesadelos que tem que não o deixam fechar os olhos para não ver sua mãe numa imagem de dor, para nõ vr a sua linda Violante, a quem prometera voltar, num choro junto à sua própria campa, numa noite negra de nuvens de tempestade. Da sua garganta sai um grito estrangulado. “Meu Deus, não me tires as forças que amanhã me perderei!”
A SEU LADO, AFONSO DE MASCARENHAS, moço de boa aparência e fino trato que com ele embarcara em Lisboa a bordo da nau Conceição. Está na trincheira, meio de cócoras, com uma pequena vara na mão a agitar a fogueira à sua frente e assim está há já um bom bocado. Tão moço quanto Tristão, de existência bem diversa. Seu pai D. Álvaro de Mascarenhas morrera, tinha ele cinco anos, durante uns confrontos com holandeses, em terras de Vera Cruz. A mãe, D. Beatriz, enlouquecida pelo desgosto retirara-se para o convento de Xabregas onde veio a falecer ao cabo de uma agonia, em profunda tristeza. O património confiado ao tutor até a maioridade dos filhos. O irmão Samuel, mais velho do que ele seis anos, embarcou para o Brasil, aos dezassete anos, já alferes mor, também ele viria a morrer nessa terra longínqua de umas febres terríveis que mataram muitos dos nossos. A sua irmã Leonor viria a casar-se com o tutor, vinte anos mais velho que ela que entretanto tomara conta da herança de família; mas Lúcio Pratas era um homem metido com a bebida, jogo e mulheres. Leonor viu o casamento um inferno e toda a herança, aos poucos, esvair-se. Lúcio Pratas acabou assassinado em circunstâncias misteriosas e Leonor sem nada de seu, acabou como sua mãe no convento de Xabregas que a recolheu, vindo a morrer de peste, durante a terrível epidemia que graçou por Lisboa. Afonso ouviu o grito sufocado de Tristão como uma prece e voltou-se.“Ah companheiro, assim estou eu que de minha existência só desgostos guardo, por isso motivos me sobejam para desejar que sabre mouro me leve amanhã bem cedo, deste mundo. Mas tu, de juventude feliz e sonhadora e gente que te ama e te aguarda, desesperas assim tanto na vez de buscares na esperança, a força para te salvares.“ Tristão ergue-se de lado, apoiando-se no cotovelo, talvez surpreendido com a fala do amigo, por ter pensado que não fora ouvido. “Com sonhos eu vim e de sonhos arrastei meus irmãos para esta desesperança em que me encontro, razão tão pequena seria a minha que depressa me ficou esmagada no coração.” Afonso pôs-se de pé, apoiado numa das estacas aguçadas destinadas à defesa do palanque. “Não desesperes, pois razões para tal, não tens.” Tristão também se levantou e avançando para aquele moço da sua idade mas com uma vida tão cheia de tristeza, abraçou-o fortemente. Conforto buscava nele que conforto também lhe queria dar naquele momento de incerteza. “Que posso eu dizer-te, amigo, que consolo te traga senão que contigo reparta a desventura dos teus dias. Mas se Deus assim dispôs, razão Lhe assiste. De Sua justiça não duvides que se Ele vivo te tem algo no futuro de bom te dará."
Os dois abraçados e Tristão viu um relâmpago no olhar do amigo quando este apenas lhe respondeu. “Pode ser que estejas certo, amigo... e desejar não quero contrariar a tua crença. Que no vigor deves acalentá-la e não esmorecê-la com agonias, como há pouco. Mas, a mim não censures que da fé já não possa saber mais que uma triste sombra.” Sentaram-se, lado a lado, na beira da trincheira, as pernas a balançar, olhando as estrelas sempre brilhantes e a lua que entretanto desandara para o lado direito e parecia um pouco mais pequena e pálida. Foi então que Afonso comentou não esperando resposta alguma pois pergunta não era. “Como será, daqui a umas horas, quando o dia nascer?” Tristão disse, apenas, sem olhar para ele. “Quem pode sabe... “. Afonso remexeu-se na sua própria dúvida. “Saberá Deus?”
FOI NA MANHÃ DE 5 DE AGOSTO DE 1578 que se deu o desastre de Alcácer Quibir; para assinalar data de tão grande importância que inclusive foi causa próxima da perda de independência e de domínio espanhol durante 60 anos, apresento-vos um excerto de uma minha iniciativa épica (quase livro) intitulada AL-KASER EL-KIBIR que ando a escrevinhar há cerca de dois anos, com períodos de grande azáfama e outros de 'nem por isso' mas que me tem dado imenso gozo e conhecimento histórico pela obrigatória consulta de fontes e livros de romancistas e historiadores e também pelo exercício de imaginação que a construção de personagens que fazem uma história paralela da lenda em que se tornou a verdadeira, sempre traz:

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

IGUALDADE É QUE CONTINUA A NÃO SER!

PARIDADE? MEDIOCRIDADE? HIPOCRISIA?
IGUALDADE É QUE CONTINUA A NÃO SER.

MAS O QUE É ISTO? 
Pertenço ao género dos que são menos à nascença, por isso há mais bébés fêmeas que bébés machos nos berçários das maternidades; 
dos que são mais mortais no primeiro ano de vida por isso há mais meninas que meninos nos infantários e no básico; 
dos que abandonam primeiro os estudos e é por isso que há mais raparigas que rapazes no sistema educativo, 
e também por isto tudo há, assim, mais mulheres que homens no trabalho e na falta dele
e também, há mais viúvas que viúvos, e mais avós que avôs, e mais mães que pais, e mais irmãs que irmãos, e mais tias que tios, e mais primas que primos 
e para cavar ainda mais o fosso, curiosamente, por causa do cromossoma ingrato ou da falta dele, faz com que sejam 'eles' a passarem-se para 'elas' mais do que o contrário;. 
Em resumo, há sempre mais elas seja onde for...

OHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH! PERDÃO! 
ESQUECI-ME DAS ADMINISTRAÇÕES DAS EMPRESAS!
MAS ISTO NÃO PODE SER! ISTO É UMA CATÁSTROFE!
ENTÃO FAÇA-SE UMA LEI PARA REMEDIAR JÁ ISTO!

Mas, cuidado, para os ELES não ficarem chateados, para já só um terço dos lugares em cada conselho de administração para sentar A ELAS! 
33,3333333% ou seja, por cada 10 cadeirões de veludo só 3 mulheres mais 1/3 de outra é que terão direito ao assento, a partir de Janeiro do ano que vem. 
Assim está bem! 
Têm de estar sentadas 3 por cada 10!
É suave e nem precisa de ser por mérito! 
Depois logo se vê...
Por não ser machista, nem conservador, o que me revolta é esta espécie de atestado de menoridade passado em pleno século XXI, às mulheres, a coberto de pretensa virtuosa capa de cidadania democrática e de defesa de direitos humanos.
A luta das mulheres pela igualdade, durante décadas, com tantas conquistas feitas, com determinação e coragem, sobre a violência e a discriminação, MERECIA MAIS QUE ISTO!.