quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

MATARAM O REI E O PRÍNCIPE

Final de tarde. Pouca gente no Terreiro do Paço. Ainda a cidade se não recompusera dos acontecimentos das noites anteriores, em que foram presos e levados para o Aljube e até para os calabouços do Bugio, mais de noventa pessoas, entre as quais vultos Afonso Costa e António José de Almeida, vultos do partido republicano, dirigentes carbonários, operários anarquistas e alguns dissidentes progressistas do partido regenador como o Visconde de Ribeira Brava.
A ditadura imposta pelo ministério de João Franco que culminou com a suspensão das garantias cívicas da Carta Constitucional de 1907, o caso do 'ultimato inglès' e as dificuldades económicas são as causas para um clima de grande tensão social que leva o rei D. Carlos a sair de Vila Viçosa, onde passava uma semana de caçadas e lá se encontrava com o príncipe D. Luís Filipe e a raínha D. Amélia. Apesar dos avisos e contra a vontade de membros do governo e da sua segurança oficial, à sua chegada a Lisboa opta por seguir, desde o cais das colunas até ao Palácio das Necessidades num 'landau', carruagem aberta, para demonstrar que há normalidade e que a revolta está dominada. 
A escolta resumia-se aos quatro batedores protocolares e um oficial a cavalo, ao lado da carruagem do rei. Quando a carruagem circula pelo lado ocidental da praça, um homem de barbas, dirige-se para o meio da rua, leva à cara a carabina que escondia sob a capa, põe o joelho esquerdo no chão e faz pontaria. Ouve-se o tiro e a bala atravessa o pescoço do Rei. Logo de seguida começa uma fuzilaria com: outros atiradores, em diversos pontos da praça, a atirarem sobre a carruagem aberta que fica crivada de balas.
O rei D, Carlos morre imediatamente. Entre os populares que fazem um magro cordão nos passeios, alguns para protestarem, muito poucos para o saudarem, é o pânico generalizado.  
Com uma precisão e um sangue frio notáveis, o atirador, mais tarde identificado como Manuel Buiça, professor primário expulso do Exército, volta a disparar. O segundo tiro atravessa o ombro do rei, cujo corpo cai de costas para cima da raínha que entretanto se tentara levantar num grito de aflição. Quando surge a correr de debaixo das arcadas um segundo regicida, Alfredo Costa, empregado do comércio e destacado membro da Carbonária. Pé sobre o estribo da carruagem, ergue-se à altura dos passageiros e dispara, de novo, sobre o rei já morto.
D. Amélia, já de pé, tenta desesperadamente proteger o rei e agita um ramo de flores, gritando “Infames! Infames!” mas o segundo atirador ainda agarrado à carruagem volta-se então para o príncipe D. Luís Filipe, que se levanta e saca do revólver do bolso do sobretudo, mas é atingido no peito. A bala, de pequeno calibre, não penetra o esterno (segundo outros relatos, atravessa-lhe um pulmão, mas não era uma ferida mortal mas, ao levantar-se o príncipe fica na linha de tiro da carabina e de uma bala de grosso calibre que o atinge na face esquerda, saindo pela nuca. O infante D. Manuel que seguia ao lado vê o irmão tombado e tenta, em vão,  estancar-lhe o sangue com um lenço.
A fuzilaria continua. Dª Amélia permanece de pé, gritando por ajuda. Buíça volta a fazer pontaria (sobre o infante? sobre a rainha?) mas é impedido pela intervenção de Henrique da Silva Valente, soldado de Infantaria 12, que passava no local, e que se lança sobre ele de mãos nuas. Na breve luta que se segue o soldado é atingido numa perna, mas a sua intervenção é providencial. 
Tendo voltado o seu cavalo, o oficial carrega primeiro sobre Costa, que ferido pelo príncipe é atingido por um golpe de sabre e preso pela polícia, mas já moribundo e de seguida dirige-se a Buíça que mesmo no chão ainda consegue atingir o oficial que mesmo assim o imobiliza com uma estocada.
Ainda vivo Buiça, no momento que é entregue à polícia, o zelo excessivo de um dos polícias fá-lo disparar a arma e abater o assassino, o que dificultará as posteriores investigações sobre o atentado.
A rainha D. Maria Pia, mãe de D. Carlos foi chamada ao Arsenal, onde encontrando-se com D. Amélia lhe diz chorosa e desolada: “Mataram-me o meu filho.”, ao que esta respondeu:
“E o meu também.”



sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

AS LIÇÕES DAS ELEIÇÕES AMERICANAS


O CÉREBRO É UMA COISA MARAVILHOSA. Todos deveriam ter um. Talvez seja disto que falamos quando falamos sobre eleições americanas e com uma certa arrogância de opinião sobre 'o como foi possível o Trump?' ou 'os americanos sempre foram burros' ou mais suavemente 'o povo americano é mesmo assim...'.
É CLARO QUE não esquecendo as peculiares regras de eleição do presidente dos Estados Unidos que já custou a derrota de Al Gore contra Bush e agora de Hillary contra Trump, ou seja, ter mais votos não significa ser eleito, não nos podemos esquecer que há cerca de um ano, em Portugal, não foi o 'chefe' do partido vencedor quem acabou por ser primeiro ministro, pontuadas as devidas diferenças.

O QUE EU QUERO DIZER é que, por cá, depois de quatro anos negros, os portugueses social e economicamente mais vulneráveis e a generalidade da classe média foram tratados como 'carne para canhão' por um governo sem escrúpulos cujo propósito de desmantelar o Estado Social, Educação e Saúde, para não falar já numa pretensa reforma da Justiça ( que teve como consequência dificultar o acesso à justiça dos mais pobres e dos mais fracos) bem como outros importantes apoios socias.
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POIS MAL! OS VOTOS VOLTARAM DAR A VITÓRIA AO PSD/CDS então coligados no PaF e só não tivemos Passos Coelho/Portas mais quatro anos porque a Esquerda soube unir-se em torno do essencial - a defesa do estado social - e deixar os 'entretantos' para alturas de menor aperto. Ora os portugueses são burros? Como os americanos? Como os franceses? Como os austríacos? Como todos os outros povos que votam 'direita', 'xenofobia', 'racismo', 'aumento das desigualdades', 'desmantelamento dos equipamentos de apoio social'?

A EXPLICAÇÃO EXISTE e já foi diagnosticada centenas de vezes por centenas de políticos, sociólogos, analistas, economistas até prémios Nobel, etc, etc. Que lição retirar de tudo isto? O facto de em quase todas as democracias ocidentais, os partidos vencedores de eleições estarem situados no centro direita e na direita mais conservadora e até retrógrada tem sido muito por culpa das 'Esquerdas'. 

Principalmente de uma certa Esquerda que parece ter por única linha doutrinária a costumada e arrogante superioridade moral, baseada numa luta de classes já ultrapassada no tempo e no significado por uma concertação social destinada a garantia um maior equilíbrio e paz social essenciais ao crescimento sustentado
POIS MAL! Veja-se o que se acaba de passar com a 'nossa' TSU em que BE e PCP/PEV preferiram deixar um PSD, revanchista, completamente desnorteado e sem vergonha, se lhes colasse numa votação cujo único objectivo das 'Esquerdas' era não permitir a possibilidade às empresas (sobretudo pequenas, médias e micro e instituições de solidariedade social) de não verem reflectido nas suas débeis tesourarias o esforço de um aumento do salário mínimo (numa elevada percentagem dos trabalhadores). afinal 'bandeira' dessa mesma Esquerda!



A 'GOVERNAÇÃO AO CENTRO' é um exercício cada vez mais difícil quando o eleitorado parece deslocar-se para as 'extremas'. Populistas, tiranetes, xenófobos, racistas, machistas, e outros que tais vão continuar a surgir como cogumelos a menos que a Esquerda aprenda para que continuemos a ver de pé e com força as 'GERINGONÇAS'.deste mundo!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

O NEVOEIRO

O DIA ACORDOU COM O TEMPO propício ao aparecimento de um tal D. Sebastião, desaparecido na batalha de Al Kasr Al kivir e que se tornou lenda. Como se sabe, dizia o povo que o jovem rei voltaria numa manhã de nevoeiro para salvar a Pátria....
A voz do povo, a quem sempre se dá razão embora se pensarmos como poderia salvar a Pátria quem a Pátria pôs em perigo com a sua insensata campanha.
MAS, NÃO HOUVE D. SEBASTIÃO a surgir do nevoeiro, houve DAMIÃO DE GOES o catamarã da Soflusa que pelas oito e trinta da manhã embateu violentamente no cais, com 561 passageiros.
A esta hora já toda a gente estará nas suas casas, incluindo os dezanove feridos ligeiros que tiveram de ser tratados no hospital. Ainda ontem tinha aqui deixado a efeméride sobre a travessai Barreiro - Lisboa quando foi aberta pelo primeiro ferry...
UM DENSO NEVOEIRO viria a marcar a sessão de hoje, da Assembleia da República, com a proposta do Governo sobre a descida da TSU para as empresas, chumbada graças aos votos combinados de PSD, BE, PCP e os Verdes, abstenção do PAN e do CDS/PP e votos a favor do PS que (já se sabia) não iriam ser suficientes para fazer passar a medida.
PASSOS COELHO não quis ser D. Sebastião e preferiu embate no cais do seu desespero, graças ao nevoeiro que tem na cabeça.
À MARGEM DO NEVOEIRO, faria hoje 75 anos, EUSÉBIO DA Silva Ferreira, um dos maiores futebolistas de sempre.
Apelidado de 'Pantera Negra' foi eleito o 9º melhor jogador de futebol no século XX numa e faz parte da lista dos 50 melhores jogadores de todos os tempos do Planet Foot.
No Benfica ganhou 11 Campeonatos, 5 Taças de Portugal e 1 Taça dos Campeões Europeus (1961/62) e mais três finais da Taça dos Campeões Europeus (1962/63, 1964/65 e 1967/68).
Foi o melhor marcador da Taça dos Campeões Europeus em 1965, 1966 e 1968. Ganhou a Bola de Prata por 7 vezes (recorde nacional) e foi o primeiro jogador português a ganhar a Bota de Ouro, em 1968, que repetiu em 1973
Muito mais haveria para recordar numa carreira de 22 anos.
Mesmo depois de retirado, continuou a ser um 'embaixador' do futebol nacional, em todo o mundo.
Faleceu, como se recordarão, a 5 de Janeiro de 2014.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

A FALAR É QUE A GENTE SE ENTENDE

UMAS VEZES SIM. OUTRAS NEM POR ISSO
O dia de hoje é historicamente marcado por grandes conversas que foram importância para a humanidade, pelo menos grande parte dela. Dessas 'grandes conversas' saíram conclusões mas os homens que se reuniram, em alguns casos, FALARAM, FALARAM MAS SE SE ENTENDERAM OU NÃO.... 
Ora relembremos:


EM 1265, realiza-se no PALÁCIO DE WESTMINSTER a primeira reunião do PARLAMENTO INGLÊS, um acontecimento que em muito terá contribuído para fazer da Inglaterra a democracia mais antiga do Mundo, embora se perceba que nessa época, o povo formava uma 'classe' com quase nenhuns direitos.
Aliás (e como tantas outras vezes) nós os portugueses acabamos 'ao canto da História' sem razão, pois as CORTES DE COIMBRA realizadas em 1211 (54 anos antes) no reinado de D. Afonso II, remete-nos quase para os primórdios da nacionalidade.
Haja (também) orgulho nisto!

TERMINAVA EM 1920, EM PARIS, A CONFERÊNCIA DA PAZ, iniciada um ano antes, com a presença de 70 delegados de 25 países, para determinar as condições que seriam estabelecidas aos países derrotados da I Guerra Mundial e evitar se possível uma indemnização de guerra aos países vencedores. 
Politicamente dominada pelos "Quatro Grandes", Estados Unidos, Reino Unido, França e Itália, que apenas se interessava pelas suas reivindicações territoriais, com desprezo pelo Vaticano cujo território afirmava não lhe dizer respeito.
O presidente Wilson quis impedir a decisão do desmembramento do estado alemão, como queriam o Estado-Maior francês e Lloyd George, primeiro ministro inglês.
A manutenção da Alemanha unida acabou por vingar e a reunião acabou com a assinatura do TRATADO DE VERSAILLES com o fim de fixar o novo mapa político da Europa, as indemnizações de guerra e definir as condições de desmilitarização dos vencidos, de forma a reduzir drasticamente as suas futuras forças militares.
A paz na Europa durou pouco mais de 15 anos!

COMO NÃO HÁ DUAS SEM TRÊS, apesar de haver muitas mais, a terceira deste dia em 1942 foi a CONFERÊNCIA DE WANNSEE uma reunião do governo da Alemanha Nazi e dos líderes das SS, realizada nos subúrbios de Berlim.
Marcada pelo director político de Segurança do Reich, HEYDRICH, o objectivo era assegurar a cooperação do governo na solução final para a questão judaica. Na reunião estiveram presentes os secretários-de-estado das Relações Exteriores, Defesa, Economia Justiça, e Interior, tal como os membros superiores das SS e da GESTAPO.
No decurso da reunião, Heydrich descreveu como os judeus iam ser reunidos e enviados para campos de concentração na Polónia ocupada onde seriam executados. O resultado é conhecido como a maior operação de extermínio que há memória. Seis milhões de pessoas foram torturadas, assassinadas ou mantidas em campos de trabalho onde se mantinham até à morte.
Uma enorme mancha (mais uma) na História da Humanidade.



PARA TERMINAR, não posso deixar de mencionar uma reunião de tipo bem diferente que ocorreu em 1554, no PAÇO DA RAINHA e teve como protagonista principal Joana de Áustria, casada com o príncipe D. João Manuel, neto do rei D. João III. Porque foi assim importante a reunião ainda por cima num quarto? Porque foi o dia em que SEBASTIÃO, O DESEJADO nasceu!
À reunião assistiram, como é expectável, médicos da Corte e as aias que se multiplicaram em esforços e manobras, em volta da cama onde D. Joana, mãe do desejado se debateu até ao fim com muita valentia, apesar das dores e do sofrimento, vindo a morrer após o parto.
Reza a lenda, que uma conhecida cega, tida por vidente, foi apanhada às portas do Paço e metida na prisão enquanto gritava que previsões para grandes desgraças para o reino e para o recém nascido..

Já caiu a noite sobre os campos de Shuaquen.
Há o vento do deserto e frio a cheirar a morte. 
Milhares de corpos amontoados.
Os feridos, os mortos, os moribundos;
os mutilados sem glória nem esperança.

Vultos sonâmbulos, por entre pequenas fogueiras,
vão curvados na desgraça, agradecendo a sorte.
Nas sombras, vivos e esgotados.
Há gritos de agonia e outros furibundos
e arrepios, para apagar da lembrança.

Ao longe, entre duas dunas, no meio de palmeiras,
numa enorme tenda jaz no seu leito de morte
o jovem do elmo e da armadura dourados,
de sonhos loucos e dois golpes fundos. 
Da brava gente, poucos sobram da matança.

Desaparecido para sempre, no auge da contenda,
‘O Desejado’ lhe chamaram e nasceu uma lenda.

(Lisboa, 4 de Agosto de 1978 – 4º centenário da Batalha de Alcácer Quibir) 

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

E SE FOSSEM RAINHAS?

E SE FOSSEM TRÊS RAINHAS MAGAS?
IMAGINEMOS, POR MOMENTOS, QUE teriam sido três rainhas magas, naquela noite, a seguirem a tal estrela mais brilhante que todas as outras, até à gruta onde Jesus acabara de nascer. 
As três ter-se-iam preocupado em levar presentes com utilidade e não aquelas prendas inúteis dos homens. 
Melquiora levava uma pequena colher de prata para as primeiras papas, Baltazara com um ursinho de peluche bem macio e fofo e Gasparina escolhera como prenda um daqueles pequenos sinos para o berço que tocam músicas suaves para um soninho bom.

CHEGARAM A HORAS E SEM PREOCUPAÇÕES com o caminho porque para além dos camelos já terem GPS, no deserto é para a frente e sempre a direito. Ainda ajudaram ao parto porque José estava manifestamente atrapalhado e meia dúzia de pastores nas redondezas, uns rapazolas longe de saberem alguma coisa, a não ser um deles mais velho, que era bombeiro e tinha experiência de assistir a partos, de urgência, em camelos a caminho do hospital. 
Enquanto Baltazara metia mãos à obra e incentivava Maria a fazer força sem desfalecimentos, Melquiora aquecia água numa malga e na fogueira que entretanto José acendeu. Gasparina ocupava-se do berço de arranjar roupa bem limpa e lençóis lavados para embrulhar a criança que ia nascer.

FINALMENTE, ao fim de quase uma hora de grandes trabalhos, Baltazar teve uma exclamação de alegria: 
"Maria, mais força, agora!! Força!!!". 
E, num último esforço de Maria: 
"Viva! É uma menina!!!!!!!" 
Todos os presentes se olharam interrogativos. 'Como é possível?!' O pastor que era bombeiro exclamou. 
'Enganámo-nos na gruta!'.
Mas não! Quem se tinha enganado com a alegria do nascimento fora Baltazara que de imediato foi corrigida por Melquiora:
"Estás cada vez mais míope, querida".
Foi então uma festa. 
Gente que passava juntou-se sem perceber ainda o motivo de tanta alegria.

À DESPEDIDA, as três amigas desejaram muitas felicidades ao casal e ao menino acabado de nascer, despediram-se de todos e lá foram numa animada conversa a três:
Dizia Melquiora: "Tu reparaste como estava aquela casa? Que desleixo, que desarrumação...ainda por cima, deixam os animais entrarem nos quartos..."
Baltazara, numa voz penalizada: "Ouvi dizer que o José estava desempregado, coitado e andam a viver de expedientes....ainda fica sem o subsídio. Está tão velho..."
Gasparina: "E a cozinha quando fui aquecer água?! Que horror!"
Voltava Baltazara: "E ela? Também não admira. Não se cuida nada. Aquele cabelo muito sujo, as olheiras e não se depila nem nada. Ao menos um bocadinho de baton..."
Melquiora interrompia observadora: "Não repararam as sandálias? Que falta de gostinho, com aquela capa...."
Gasparina, por fim, na pergunta sacramental: "Vocês acharam o menino parecido com o José?" 
E, perante, o silêncio comprometido das outras duas, que não viam no menino qualquer parecença, Gasparina juntou numa espécie de desabafo segredado:
"Diz-se para aí que foi obra de um tal Espírito Santo..."
Melquiora e Baltazara levaram as mãos aos lábios redondos do espanto em uníssono exclamaram:
"Ohhhhhhhhhh! Do banqueiro?"