sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Assassinaram 'El Che' há 43 anos

Ernesto Guevara de la Serna, 'Che Guevara, nasce em Rosário, Argentina a 14 de Junho de 1928 e morre aos 39 anos em La Higuera, onde tentara estabelecer uma base guerrilheira para lutar pela unificação dos países da América Latina mas, enfrenta dificuldades com um terreno desconhecido, não recebe o apoio que esperava do partido comunista boliviano nem consegue ganhar a confiança dos camponeses que moravam na região.
Nem Che, nem nenhum dos seus companheiros falavam a língua indígena local. Traído, cercado e capturado em 7 de Outubro de 1967, é executado no dia seguinte pelos soldados do exército boliviano comandados pelo Coronel Zenteno Anaya.
Os boatos sobre a execução de Che Guevara levantaram dúvidas sobre a identidade real do guerrilheiro, que usava documentos falsos, de diversos países, para se movimentar na Bolívia. A confusão estabelecida em torno do caso culminou no desaparecimento do seu corpo, que só foi encontrado trinta anos depois.Foi considerado, pela revista norte-americana Time Magazine, uma das cem personalidades mais importantes do século XX
Em 1997, os seus restos mortais foram encontrados por pesquisadores numa vala comum, junto a outras ossadas, na cidade de Vallegrande, a cerca de 50 km de onde ocorreu a sua execução. A sua ossada estava sem as mãos, que foram amputadas (para servir como troféu) logo após a sua morte.
Os restos mortais foram transferidos para Cuba, onde são enterrados com honras de Chefe de Estado, na presença de membros da sua família e do líder cubano e antigo companheiro de revolução Fidel Castro.


Em 1951, seis meses antes de se formar em Medicina, decide interromper o curso e iniciar, com Alberto Granado, uma grande viagem pelo continente, de Buenos Aires a Caracas, na velha motocicleta do companheiro, uma Norton 500 cc, visitam, durante dois anos, minas de cobre, fábricas, plantações e povoações indígenas, interagindo com as populações mais humildes e tomando consciência das situações de extrema pobreza e miséria humana.
De volta à Argentina em 1953 acaba os estudos de Medicina e passa a dedicar-se à política.
Nesse mesmo ano, Guevara é repórter fotográfico de uma agência noticiosa argentina nos Jogos Pan-Americanos do México e é daí que inicia uma segunda viagem pela Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Panamá, Costa Rica, El Salvador e Guatemala onde é tocado pela existência de tanta miséria e impotência e pelas lutas e sofrimentos que presenciou e fotografou. A experiência vivida contribui para a tomada de consciência e de posição política, definindo-se um revolucionário contra o imperialismo americano.
Entretanto conhece Hilda Gadea, com quem se casa e de cuja união nasce Hildita.
Em 1954, de novo no México, através de Nico López, um companheiro de luta, conhece Raúl Castro que o apresentaria ao irmão mais velho. Fidel Castro lidera o movimento guerrilheiro 26 de Julho, também conhecido por M26, em referência ao assalto ao Quartel Moncada, uma acção destinada a tomar a principal prisão de presos políticos em Santiago. Guevara faz parte dos 72 homens que partem para Cuba com Fidel. Só 12 sobreviveriam. É durante esse ataque que Che troca a maleta médica pela arma de um companheiro abatido, comportamento que tempos depois ele iria definir como o momento decisivo na sua transição de médico para revolucionário. Refugiados nas montanhas da Sierra Maestra, o grupo inicia a luta contra o presidente cubano Fulgencio Batista, apoiado pelos Estados Unidos.
Durante quase quatro anos, os guerrilheiros vão angariando apoio para a sua causa de muitos camponeses, intelectuais e trabalhadores urbanos e Che Guevara vai-se tornando naturalmente respeitado, como médico e revolucionário, pelos rebeldes até que a 19 de Janeiro de 1959, Batista exila-se em São Domingos e com a vitória os revolucionários nasce um novo regime socialista em Cuba com a hostilidade dos Estados Unidos, o que levou ao seu alinhamento com a URSS.
(“Eu tinha a maior vontade de entendimento com os Estados Unidos. Até fui lá, falei, expliquei nossos objectivos. (…) Mas os bombardeamentos por aviões americanos das fazendas de cana, das cidades; as ameaças de invasão por tropas mercenárias e a ameaça de sanções económicas constituem agressões à soberania nacional e ao povo cubano”. declara a Louis Wiznitzer, enviado especial do Globo a Havana, em entrevista publicada em 24 de março de 1960).
Três anos depois, despede-se de Fidel e parte para a Bolívia onde encontrará a morte.


A famosa imagem de Che Guevara é a pintura feita pelo artista plástico irlandês radicado nos Estados Unidos Jim Fitzpatrick, a partir da foto tirada por Alberto Korda e divulgada pela revista Paris Match, pouco antes de sua morte e que se tornou a segunda imagem mais difundida da era contemporânea, apenas superada pela de Jesus Cristo.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Combater a Pobreza e a Exclusão Social

A iniciativa "24 Horas pelo Combate à Pobreza e Exclusão Social" é o ponto alto desta Semana de Luta Contra a Pobreza.
Manifestações de rua, debates e até um jogo com antigas estrelas de futebol são alguns dos eventos a lembrar que combater a actual crise não pode fazer esquecer a solidariedade de todos, na ajuda aos mais pobres. Vai ainda ser apresentado um manifesto no 2º fórum Nacional de Pessoas em Situação de Pobreza, que decorre hoje e amanhã no Parlamento, em Lisboa.
No Porto, há uma marcha na Avenida dos Aliados. Também há iniciativas noutras 13 cidades. Estas “24 horas pelo Combate à Pobreza” integram o Programa Nacional do Ano Europeu de Combate à Pobreza e Exclusão Social.
 
Em Portugal, segundo dados do INE de 2008, havia mais de 2.000.000 de pessoas a viver abaixo do limiar da pobreza. Hoje, a percentagem já será, certamente, maior.
Sem comentários...
 

terça-feira, 5 de outubro de 2010

A República faz 100 anos. Viva a República!

A implantação da República Portuguesa foi consequência de um golpe de estado organizado pelo Partido Republicano Português que, no dia 5 de Outubro de 1910, destituiu a monarquia constitucional.

A subjugação do país aos interesses coloniais britânicos, os gastos da família real, o poder da Igreja, a instabilidade política e social, o sistema de alternância dos dois partidos no poder (progressista e regenerador) e a ditadura de João Franco, bem como a aparente incapacidade de se adaptar à modernidade tudo contribuiu para um inexorável processo de erosão da monarquia portuguesa. Por contraponto, a república apresentava-se como a única capaz de devolver ao país o prestígio perdido e colocar Portugal na senda do progresso.

Após a relutância do exército em combater os cerca de dois mil soldados e marinheiros revoltosos entre 3 e 4 de outubro de 1910, a República foi proclamada às 9 horas da manhã do dia 5 da varanda dos Paços do Concelho de Lisboa. Após a revolução, um governo provisório chefiado por Teófilo Braga dirigiu os destinos do país até à aprovação da Constituição de 1911 que deu início à I República.

No dia 6 de Outubro de 1910, o Diário do Governo proclamava: "Ao Povo Português — Constituição do Governo Provisório da República — Hoje, 5 de outubro de 1910, às onze horas da manhã, foi proclamada a República de Portugal no salão nobre dos Paços do Município de Lisboa, depois de terminado o movimento de Revolução Nacional. Constituiu-se, imediatamente o Governo Provisório: Presidência, Dr. Joaquim Teófilo Braga. Interior, Dr. António José de Almeida. Justiça, Dr. Afonso Costa. Fazenda, Basílio Teles. Guerra, António Xavier Correia Barreto. Marinha, Amaro Justiniano de Azevedo Gomes. Estrangeiros, Dr. Bernardino Luís Machado Guimarães. Obras Públicas, Dr. António Luís Gomes."
Com a implantação da República, os símbolos nacionais foram modificados.  
Em 19 de Junho de 1911 a Assembleia Nacional Constituinte proclamou "A Portuguesa" como hino nacional em substituição do Hymno da Carta, anterior hino nacional desde Maio de 1834, inscrevendo-a como símbolo nacional na Constituição portuguesa de 1911. A Portuguesa fora composta em 1890, com música de Alfredo Keil e letra de Henrique Lopes de Mendonça, em reacção ao Ultimatum inglês. Nasceu como uma canção de cariz patriótico e foi utilizada, com uma letra ligeiramente diferente, como a marcha dos revoltosos de 31 de Janeiro de 1891, na tentativa falhada de golpe de Estado que pretendia implantar a República, razão pela qual o regime monárquico a tinha proibido.
Embora proclamada hino nacional em 1911, só em 4 de Setembro de 1957 foi aprovada a versão oficial que é hoje tocado.
Em relação à bandeira, existiam duas tendências: uma de manter as cores azul e branca, tradicional das bandeiras portuguesas, e outra de usar cores "mais republicanas": verde e vermelho. A proposta da comissão sofreu alterações até ao desenho final rectangular, com os dois quintos próximos da haste com a cor verde e os três quintos, do lado do batente, com a cor vermelha. A cor verde foi escolhida por ser a "cor da esperança", enquanto o vermelho é uma cor "combativa, quente, viril para representar o sangue dos heróis derramado pela Pátria". Na união das duas cores, o escudo das armas nacionais orlado a branco, sobre a esfera armilar manuelina. O projecto da bandeira foi aprovado pelo Governo Provisório por um voto a 29 de Novembro de 1910. No dia 1 de Dezembro foi celebrada a Festa da Bandeira, frente à Câmara Municipal de Lisboa.
As figuras
Almirante Cândido dos Reis, chefe militar do 5 de Outubro, junta-se à Carbonária para organizar a revolução. No dia 3 insiste em avançar contra a opinião do directório do Partido Republicano. Aparece morto, na madrugada de 4 para 5 de Outubro, com um único tiro de pistola na cabeça, na Azinhaga das Freiras, a Arroios, mas a sua morte é encoberta até ao fim. Ainda hoje se discute se terá sido assassinado ou se se terá suicidado por julgar que a revolução tinha falhado.

Miguel Bombarda, chefe civil da revolução, é médico de alienados no Hospital de Rilhafoles. É morto com vários tiros, no dia 3, no seu gabinete por um doente. Durante a agonia de várias horas consegue falar com Brito Camacho a quem dá a saber todo o plano da revolução.

Machado Santos, chefe carbonário e comissário naval, fica para a história da revolução como o 'comandante da rotunda' onde resiste às investidas das forças leais ao Rei D. Manuel II quando tudo parecia perdido. Depois, romperá com o regime e associar-se-á a Sidónio Pais, vindo a ser assassinado na noite sangrenta de 1921.
Paiva Couceiro, comnada as tropas de cavalaria e artilharia leais ao regime. Na alvorada do 5 de Outubro manda bombardear a rotunda e o parque Eduardo VII e, por horas, a vitória parece pertencer-lhe mas, depois do desembarque da Armada, percebe que as forças republicanas apoiadas por inúmeros civis vão levar a melhor e declara que se retira para Mafra para dar protecção à família Real, depois de recusar uma bandeira republicana que o povo lhe queria oferecer.

 D. Manuel II, que receberá o cognome de 'O Patriota' segue de Mafra para a Ericeira com as forças leais e espera a bordo do iate 'D. Amélia' pela Raínha-Mãe que se encontrava refugiada no palácio da Pena em Sintra, de onde embarcaram para o exílio, em Inglaterra. É, nesses momentos de grande incerteza que profere: " Tenho a convicção de sempre ter cumprido o meu dever de Rei, em todas as circunstâncias e de ter posto o meu coração e a minha vida ao serviço da Pátria."
José Relvas aderiu ao Partido Republicano já numa fase avançada da vida (perto dos 50 anos), no contexto da crise política provocada pela chamada ao poder, por parte do rei D. Carlos do ministro João Franco.
Foi escolhido para proclamar a República, da varanda dos Paços do Concelho por ser um dos dirigentes "mais antigos" do directório do Partido Republicano e lavrador abastado que granjeou prestígio nacional, sobretudo enquanto líder associativo dos agricultores ribatejanos. Foi ministro das finanças do Governo provisório até à auto-dissolução deste, sendo o responsável pela introdução da reforma monetária que criou o escudo.
Teófilo Braga, depois de ter presidido ao Governo Provisório da República, a sua carreira política terminou após exercer fugazmente o cargo de Presidente da República, em substituição de Manuel de Arriaga, entre 29 de Maio e 4 de Agosto de 1915.
João Chagas, jornalista, escritor, crítico literário, político e diplomata foi, acima de tudo, um republicano liberal, ideal que abraçou até à morte e que, por diversas vezes, lhe custou a prisão e o degredo. Deixou uma das obras mais importantes, e por isso mesmo mais injustamente esquecida, do jornalismo político e de doutrinação democrática publicadas em Portugal, sendo autor de alguns dos textos basilares para a compreensão do processo formativo e evolutivo do republicanismo português. Foi o primeiro primeiro-ministro da República portuguesa. A ele se deve a frase: " Que me importa a província, que me importa mesmo, o Porto! A República fazêmo-la depois por telégrafo."

Afonso Costa, a quem foi atribuída a pasta da Justiça no governo provisório, tornou-se uma das figuras mais importantes e controversas dadas as medidas que tomou. Pertencem-lhe a ordem para a expulsão dos Jesuítas e a determinação de detenção de padres e eclesiásticos que fossem apanhados a andar pelas ruas, para "evitar abusos" e situações controversas resultantes de actos de populares anti-clericais; nos dias seguintes à revolução, várias igrejas e até conventos tinham sido assaltados e saqueados. 
No entanto, também outras medidas tomadas e leis mais emblemáticas da República que vieram transformar a sociedade e as relações de trabalho, tais como a "Lei do Divórcio" e o reconhecimento do "Direito à Greve".
O busto oficial da República foi escolhido num concurso nacional promovido pela Câmara Municipal de Lisboa em 1911 e é da autoria de Francisco dos Santos. Está actualmente exposto no átrio da Câmara Municipal de Lisboa. O gesso original no Centro Cultural Casapiano, uma vez que Francisco dos Santos fora aluno da Casa Pia de LisboaA modelo para este busto foi Ilda Pulga, uma jovem trabalhadora do comércio do Chiado.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Foi (apenas) há 53 anos

Sputnik I foi o primeiro satélite artificial lançado da Terra pela URSS em 4 de Outubro de 1957 do Cosmódromo de Baikonur. Era uma esfera de aproximadamente 50cm de diâmetro e pesava cerca de 86 kg cuja única função era transmitir um sinal de rádio "beep" que podia ser sintonizado por qualquer radio-amador que se manteve em órbita durante seis meses, antes de cair. 
Um mês depois do lançamento do Sputnik I, a URSS lançava o Sputnik II, que passou a ser o primeiro satélite transportando a bordo um ser vivo, a célebre cadela Laika.
Estavam dados os primeiros passos para a conquista do espaço.


domingo, 3 de outubro de 2010

Só 10% menos

Imaginem:
1) que todos os gestores públicos das 77 empresas do Estado decidiam voluntariamente baixar os seus vencimentos e prémios em dez por cento, independentemente dos resultados. 
2) que os gestores públicos optavam por carros dez por cento mais baratos e que reduziam as suas dotações de combustível em dez por cento.
3) que as suas despesas de representação diminuíam dez por cento também.
que retiravam dez por cento ao que debitam regularmente nos cartões de crédito das empresas.
4) que os carros pagos pelo Estado para funções do Estado tinham ESTADO escrito na porta e que só eram usados em funções do Estado.
5) que dispensavam dez por cento dos assessores e consultores e passavam a utilizar a prata da casa para o serviço público.
6) que gastavam dez por cento menos em pacotes de rescisão para quem trabalha e não se quer reformar.
7) que os gestores públicos do passado, que são os pensionistas milionários do presente, se inspiravam nisto e aceitavam uma redução de dez por cento, em todas as suas pensões. Acumulam várias. 
8) que o inédito acto de gestão de Fernando Pinto, da TAP, de baixar dez por cento as remunerações do seu Conselho de Administração é seguido pelas outras setenta e sete empresas públicas em Portugal. 

Imaginem que país podíamos ser se o fizéssemos.