sexta-feira, 14 de março de 2014

AS FAMÍLIAS E AS EMPRESAS EM ESTADO DE NECESSIDADE! E A BANCA?


O montante do incumprimento dos empréstimos para aquisição de habitação atingiu um novo recorde no início deste ano, de acordo com os dados divulgados pelo Banco de Portugal.
O crédito de cobrança duvidosa atingiu 2,4 mil milhões de euros, o que representa um agravamento de mais de 30 milhões de euros relativamente a Dezembro e mais de 170 milhões de euros quando comparado com Janeiro de 2013.
Todos nos lembramos do que se dizia ainda há bem pouco tempo a respeito do não pagamento das prestações da casa: as famílias podiam estar em situação difícil mas a prestação da casa era a última coisa que deixavam por cumprir. 
Pois, segundo os dados disponíveis, a sangria nos salários e o desemprego muitas vezes de ambos os membros no casal, bem como o ataque que o governo tem feito às pensões, muitas vezes o sustentáculo de toda a família, estão a produzir resultados.


Em termos globais, o malparado atingiu os 17 mil milhões de euros, em Janeiro que corresponde a 7,6% do valor total de crédito concedido pela banca, a famílias e a empresas, valor este nunca atingido anteriormente e que, a continuar a crescer como é previsível que aconteça, não permitirá que a banca possa continuar a financiar a economia nos mesmos patamares actuais, ainda assim reduzidos, e naturalmente retrairá ainda mais o nível da concessão do crédito, ou seja, o investimento continuará sem recuperação.

Às famílias, se o crédito à habitação mal parado, aumentou, como já foi dito acima, na vertente de crédito ao consumo passou a ter um peso de 11,8% e ainda mais acentuadamente no crédito para outros fins, onde se inclui saúde, educação, empresários por conta própria, por exemplo, o nível de incumprimento já vai nos 13,2%.

No caso das empresas, o malparado já tinha disparado em 2012 e situa-se agora acima dos 13%, posicionamento que se justifica pela redução de financiamento e as grandes dificuldades das empresas em manterem as tesourarias com a liquidez necessária para realizarem a amortização das suas dívidas junto da banca.

Apesar de continuar a haver recurso a programas de recuperação para empresas e famílias que têm recorrido a esses expedientes de renegociação de contratos de crédito, o que é facto é que em muitos casos nem isso tem obstado à sua insolvência ou à impossibilidade de cumprirem prestações mais suaves.

Já se perspectiva que é necessário tomar novas medidas para facilitar às famílias e às empresas o pagamento dos seus compromissos e é ao governo que cabe legislar sobre a matéria e ao Banco de Portugal que cumpre fiscalização enquanto entidade reguladora da actividade , dá vontade de perguntar a este mesmo governo o que é que o impede de tentar o mesmo junto dos credores do país? Ou não será a sua teimosia em manter o objectivo de pagar uma dívida incomportável que tem levado famílias e empresas a uma situação desesperada? 

   

quinta-feira, 13 de março de 2014

UM PAÍS A ANDAR PARA TRÁS


O Instituto Nacional de Estatística ( INE ) divulgou os valores oficiais de 2013.

O milagre económico que o ministro da economia assinalou e o país que está melhor segundo Passos Coelho são, talvez, referências a outro país já que Portugal, em dois anos e meio, andou para trás cerca de quinze anos.

Segundo o INE, nos últimos três anos, a contracção da economia foi de 5,83%, deixando o PIB de 2013, em 163,4 MM€ ou seja, apenas mais 1,51% que em 2000.
Mas se a análise for feita em relação ao PIB per capita, então o empobrecimento ainda é mais evidente.pois enquanto em 2001, esse montante era de 14.973,1 €, em 2012 baixou para 14.748,4 €.


O recuo do país seria ainda mais elevado não fosse a subida das exportações e as famílias terem recuperado algum poder de compra no último trimestre de 2013.


Quanto ao emprego, Portugal chegou ao final de 2013 com 4,57 milhões de empregos mas destes, cerca de 617 mil trabalhadores, sem remuneração. Para encontrarmos valores semelhantes temos de recuar a 1996, quando a economia portuguesa empregava 4,56 milhões de trabalhadores.


Os valores divulgados evidenciam ainda a destruição de 580 mil empregos desde o início de 2009, dos quais 358 mil só durante o chamado período de ajustamento.


Obviamente que a destruição de empregos acima referenciada teve consequências dramáticas no disparar da taxa de desemprego que se situou em 2013 nos 15,3%, abaixo do inicialmente projectado.
Mas, este valor pode estar a ser ajudado por 3 factores, em simultâneo:
- Os elevados números da emigração, mais de 300.000;
- Um número indeterminado de desempregados que deixou de procurar trabalho.
- Milhares de desempregados que se encontram mensalmente em formações e estágios.
No conjunto, tratar-se-á de perto de 800 mil pessoas que deixaram de estar inscritas nos centros de emprego ou que não contam para a estatística do desemprego; se tal não acontecesse, a taxa de desemprego situar-se-ia no intervalo de 22 a 25%, mais de 1,4 milhões de pessoas. Uma catástrofe.

Só estas duas vertentes chegam para verificarmos que apesar dos tais sinais de recuperação que o governo não se cansa de evidenciar, o desastre social é demasiado evidente para que se possa honestamente pensar e afirmar que estamos num país melhor.





NÃO CHATEIEM OS MERCADOS, PORRA!


O documento que preconiza a reestruturação da dívida subscrito por setenta personalidades da vida política da direita mais mais conservadora à extrema esquerda é totalmente irresponsável, especialmente quando o país se prepara para regressar aos mercados. 

As palavras são daquele senhor parecido com um insecto e que é ministro não sei bem de quê mas parece que é da propaganda ou coisa assim.
Para esta gente que nos (des)governa mais os partidos que a apoia tudo é irresponsável mesmo que se trate de uma opinião e uma visão sérias sobre o futuro do país e dos portugueses.
Para esta gente que nos (des)governa, mormente para Passos Coelho que apenas pretende agarrar-se ao único emprego que lhe restará e para Paulo Portas que o que quer é continuar a pavonear a arrogância pelos salões da política europeia, só aquilo que decidem é que é 'A Bem da Nação'.
Cavaco, por seu lado dá uma no cravo e a outra na ferradura. Por um lado vai afirmando que só por masoquismo podemos pedir a reestruturação da dívida mas depois prefacia que nem daqui a vinte anos estaremos libertos da austeridade e da vigilância dos credores, ou seja, seremos perfeitos masoquistas se não tentarmos negociar.

Que gente mais desprovida!
Que país mais derrotado!

  

terça-feira, 11 de março de 2014

MADRID, 11 DE MARÇO DE 2004



LEMBRAR FUKUSHIMA

O Japão lembra, hoje, com um minuto de silêncio, o sismo de magnitude 9 na escala de Richter e o tsunami que se seguiu que ocasionaram mais de 18 mil mortos e desaparecidos e arrasaram o nordeste do Japão, causando graves danos na central de Fukushima Daiichi naquele que ficou como o maior desastre nuclear da história.

Três anos depois do tremor de terra e do tsunami que se lhe seguiu, as marcas da destruição e as cicatrizes deixadas no Japão pertencem, em muitas regiões, ao passado.