sexta-feira, 27 de agosto de 2021

PENSO LOGO ESCREVO

 Li já não sei onde, que amadurecemos mais com o passar dos (d)anos.

Estranhando, achei graça á ideia daquele "dê" entre os parêntesis como se de uma equação matemática se tratasse. E, fez-me reflectir.
Aprendemos mais com os danos que com os anos?
Provavelmente sim...
Por isso, amadurecer não tem tempo marcado. Uns aprendem primeiro, outros só mais tarde, alguns nunca! Mas, é a saber ler os danos que nos ganhamos a resiliência precisa para continuar e não repetir os mesmos erros ou, pelo menos tentar não o fazer.
E, é nessa disponibilidade da razão, voz da experiência, que nesta vida de laboratório vamos estando, em cada passo que damos no presente, iluminado por um passado professor, olhando sempre em frente como se o futuro não tivesse aquele momento previsível, de imprevisibilidade, onde tudo acaba.
Amadurecer sem envelhecer é arte caprichosa que é preciso saber levar até ao fim das nossas vidas, embora poucos de nós consigam fazê-lo.
Até porque na vida, todos temos

Um sonho inalcançável
Um erro miserável
Um arrependimento indisfarçável
Um remorso irreversível
Um momento imprevisível
Uma decisão inimaginável
Uma opinião indesmentível
Uma acção inexplicável
Um segredo inconfessável
Um pensamento inexpugnável
Uma relação apetecível
Um amor indivisível
Uma paixão inesquecível.

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

QUANDO O PASSADO SALTA DUMA GAVETA


Na praia a segurar os calções por baixo (não faço ideia porque não os segurava por cima) panamá na cabeça quando suportava panamá (hoje, se experimento algum, fujo aterrorizado mesmo sem me ver ao espelho); sentado ao lado do Paulinho que não faço ideia quem seja mas pode ser que o Paulinho tenha uma igual a esta e saiba quem eu sou (se a minha fosse viva certamente saberia foi quem identificou a foto); a passear com o meu pai num fim de tarde e talvez, a inspiradora para a decisão da viagem para a Ilha. Eu na jardinagem (coisas do meu subconsciente).


Por cá, a noite está serena e fria. Ouve-se o mar nas arribas e um céu de estrelas que cintilam indiferentes ao Verão que nos deixa desconsolado aqui em baixo. Amanhã, segundo as previsões para Colares, o tempo permanecerá assim... um Verão à espera de ser Verão!

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

PARVOEIRAS E MAIS QUALQUER COISA

 

Acordei muito cedo, a ouvir a chuva a bater, com uma desavergonhada insistência na claraboia do quarto e pensei (o que é raro) que deve ser conspiração de deuses para nos tramarem selectivamente, agora uns, logo outros, amanhã todos.
Assim vamos levando, aqui e ali, com tempestades extremas, chuvadas, enxurradas e inundações catastróficas, abalos e "tsunamis", incêndios infernais, ventos e tornados devastadores, tudo ao desbarato, sem pés nem cabeça, a maior parte fora de época, fora do sítio, estupidamente sem aviso prévio nem nenhum nexo. Mas que é isto? Está tudo doido?
Incapaz de permanecer deitado após este choque de neurónios sobre o tempo que faz, resolvi que talvez fosse avisado consultar o oráculo já que profetas meteorológicos dos satélites que giram lá pelos céus, não acertam em quase nada. Cheguei à conclusão que os deuses sabotaram os ditos cujos e agora as informações enganadoras para os tais profetas meteorológicos são tão mentirosas, como as aplicações mirabolantes de smartphones preveem a dez e mais dias. Não me façam rir!
Alguém me disse que para ir ao oráculo é recomendado ir em jejum pois isto de se falar com deuses tem o que se lhe diga e a penitência ainda parece ser o melhor para estas consultas mais elevadas.
Ah! Claro. O comprimido ibesartan 300mg hidroclorotiazida, 12,5 mg para manter a tensão arterial regulada não é quebrar jejum porque isto de falar com deuses é coisa séria e a tensão grande e eu já tomo todas as manhãs mesmo que não fale com ninguém. O que também é raro!
Eu bem sei que não é a primeira vez nas mitológicas devoções que a Humanidade, farta de divindades que perdem o controlo na sua missão de governarem esta complexa teia de astros e se tornam vingativas e sanguinolentas, resolve mudar tudo substituindo deuses e oráculos, cultos e devoções, etc. Mas, lá fui ao oráculo apareceram uns deuses de que não estava nada à espera.
Apresentaram-se-me, por esta ordem, Mercúrio deus romano da luz e da eloquência; Sofrósina deusa grega da moderação e da temperança; Aglaia deusa assíria da claridade); Taramis deus celta da chuva; Seth deus egípcio das catástrofes; Azuristchwei deus maia da tempestade; Éolo deus grego do vento. Fiquei siderado!
-Mas o que vem a ser isto? questionei o oráculo. Então venho tentar saber explicações para o que se está a passar e, apesar de ver aqui uns deuses moderados, não me aparece nenhum que me dê explicações sobre bom tempo, tudo azul, tudo verde, tudo cheio de luz dourada, enfim algo que me cheire a VERÃO!!!???
Foi Mercúrio parecia o mais graduado quem falou com voz de trovão:
- TEMOS PENA! MAS BALBER, O NOSSO COMPANHEIRO NÓRDICO QUE GERIA O VERÃO, COM ALGUMA EFICÁCIA, MORREU.
Embasbaquei de vez:
- Morreu? Mas, como é que isso é possível?
Voltou o trovão:
- QUERO DIZER. FOI ASSASSINADO! FORAM VOCÊS QUE O FORAM ENVENENANDO AO LONGO DOS TEMPOS.
Revoltei-me:
- Se soubesse não tinha vindo... isto é uma acusação? Então agora os deuses também são finitos?
Imperial e mal encarado:
- NÃO TEMOS MAIS NADA A DIZER-TE, Ó INFELIZ! AGORA AGUENTA.
Fechou-se a nuvem com um estrondo e acordei sobressaltado.
Afinal tinha estado a sonhar, a pensar que estava acordado?
A chuva a bater, com uma desavergonhada insistência na claraboia do quarto e eu ali meio sentado na cama a digerir o sonho/pesadelo.
O que é isto? Acusados de matar o escandinavo deus do Verão bastou para tanta perturbação? AH! Não brinquem comigo.
Afinal, nós andamos há décadas a estragar o cenário porquê? Porque os deuses permitiram que o estragássemos e agora castigam-nos? Isto, está a fazer recordar-me a história daquela mãe que deixou marmelada e bolachas à mão de semear e depois, zumba, uma chinelada no rabo da filharada porque se lambuzou toda ... oh deuses!
Uff... o que me havia de acontecer.
Até mais logo! Vou ver se chove...

sábado, 24 de julho de 2021

A FÉ DOS HOMENS

 

Há algo de estranho neste éter pejado de deuses, desde que o homem é homem.

Huitzilopochtli, Tezcatlipoca e Xipe-Totec, a trindade Azteca adorada por supostamente proteger a vida dos seus súbditos está zangada?

Osíris, Ísis e Hórus, há mais de três milénios presentes, viraram-nos as costas?

O deus babilónico Marduk ou os fenícios Baal e Melcart que geriam a vida e a morte nas duas grandes cidades de Sído e Tiro ou será o assírio Assur que resolverou regressar para punir os povos.

Ou talvez o gigante taoista Panghu, de onde saímos, parasitas de um corpo há mais de cinco mil anos, que se cansou de ser hospedeiro de vermes peçonhentos, como nós?

Ou foram Tzansmi e Tzanagui os deuses nipónicos da criação que expulsaram Amaterasu, deus da claridade e da razão, condenando o mundo às trevas?

Será Tuatha Dé Danann, a deusa Celta tão alegre que só quer dançar "sapateado" no grupo dos seus dançarinos se desencantou e nos corre à biqueirada?

Talvez a tríade galesa, Trioedd, Ynys e Prydein, de fama tão imaculada na protecção das verdejantes ilhas que se cansou.

Estava a esquecer-me dos nórdicos perante os seus poderosos Thor (deus do trovão), Odin (deus da guerra) e Hel (deusa dos gelos), Njord (protector dos viajantes e navegadores) ou a deusa de Niflheim, a figura de feições sombrias viva da cintura para cima e morta da cintura para baixo que guarda a terra dos mortos. Serão estes responsáveis pelo caos?

Uma guerra qualquer no Olimpo de que nós insignificantes mortais só percebemos pelos sinais de certa violência doméstica que se ouve cá em baixo. Zeus (o grande senhor do Universo), Poseidon (dos mares e das águas), Ares (filho de Zeus e deus da guerra), Apolo (deus do Sol e da beleza) ou Hermes (o mensageiro) que não se entendem? 

Ou serão Júpiter e Marte, numa inevitável discussão que Minerva (deusa da inteligência e sabedoria) e Juno (rainha do céu, esposa de Júpiter) não conseguem aplacar?

Ou será que Brahma o deus criador do cosmos e todos os seres vivos, primeiro da Trindade Hindu está de candeias às avessas com os seus dois pares na trindade, Vishnu o deus da preservação e Shiva, o oposto deus da morte e da destruição e Shiva está a ganhar?

Talvez esteja a misturar demasiado as coisas porque de há dois mil anos a esta parte a alguém se lembrou que afinal muitos deuses geram confusão e seria preferível dar lugar a um único Deus, Senhor dos Céus e da Terra; já havia um, Jeová deus hebreu que ganhara fana de vingativo e castigador, pois então havia que mudar e foi um achado dar-lhe uma face de pai protector, benevolente e redentor, o que parece ter surtido efeito, pois ganhou rapidamente adeptos e tanto que cerca de quinhentos e setenta anos depois, descobrisse Alá, que para árabes e muitos outros povos orientais e africanos foi sendo uma espécie de "irmão" oriental do Deus dos ocidentes. 

E aqui chegados, defrontamo-nos com uma realidade "nascida" no mesmo sítio e com tanta coisa parecida que haverá quem julgue que tudo poderia ficar mais harmonioso.

Pura ilusão!


Mas, afinal, no meio de todas estas guerras um pouco por todo o lado, pelo meio de todos os desastres climáticos e catástrofes que aniquilam os mais fracos entre nós, ao empurrão de pandemias, epidemias, pestes e outras calamidades que matam milhões e milhões todos os anos, por entre muitas e muitas outras coisas que acontecem entre nós, cada vez com mais frequência e com mais violência.

Pobres terráqueos abandonados à (pouca) sorte de seres simplesmente mortais, apenas "topos de gama" de uma cadeia com muitos milhares de milhões de anos de espécies de onde viemos e agora nos julgamos arrogantemente mais evoluídos, mais inteligentes, mais poderosos, e mais tão tudo que somos capazes de destruir os outros todos que nos acompanham e "at the end" de nos destruirmos a nós próprios.

O que é manifestamente frustrante!


sábado, 17 de julho de 2021

COMPREENDER É A EVOLUÇÃO DA FÉ DOS HOMENS

 

Porque razão o homem imagina deuses imateriais se depois sente necessidade de lhes dar uma forma humana? Será que a imaterialidade é insuficiente perante o materialismo do homem? 

Quem são os nossos deuses? 

como Steinbeck em "A Um Deus Desconhecido"? ou Sartre no seu "Freud, Além da Alma" ou talvez o matemático Russell em "Porque não sou cristão" ou "O Despertar dos Mágicos" de Louis Pawells e Jacques Berger (o primeiro livro que li por volta dos meus 15 anos ) despertou interrogações e questões cuja resposta nunca encontrei no lado da fé. 

Cito estes que têm influência naquilo que penso há muitos anos. 

Não me fazendo depender da existência de deuses (falo no plural por não conseguir definir um) não é importante se existam desta ou doutra maneira ou nem sequer existam mas julgo que a ciência e a religião sempre foram contraditórias e paradoxalmente, complementares. mas para assim pensar, terei sempre que juntar "religiões" a "filosofias de vida" que precisam da ciência para serem "compreendidas".