quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

AO CAIR DO PANO

 

O ex-ministro da saúde e especialista em saúde pública, Adalberto Campos Fernandes, com base em dados que apontam para redução de casos da covid-19 (de 16% numa semana, em todo o mundo e a nível europeu de 18%), afirma Portugal, infelizmente, terá sido dos piores na última vaga, principalmente devido a decisões erráticas e a deficiente comunicação do governo.
Portugal entrará mais depressa num novo ciclo mais positivo e mais esperançoso, sem embandeirar em arco, mantendo a precaução que ajude o impulso benéfico que as vacinas e novos testes poderão dar para um regresso sustentado à normalidade.
Palavras de esperança contida que gostei de ouvir.
Esperemos que se realizem!
Aqui ao lado, Madrid e Barcelona saíram à rua, em peso na noite desta quarta-feira em protesto pela prisão do rapper Pablo Hasél, detido na Universidade de Lérida, depois de condenado a nove meses de prisão por glorificação do terrorismo e injúrias à monarquia.
Com o escalar da violência, a polícia acabou por voltar a usar da força perante os manifestantes, com vários feridos incluindo uma mulher que terá perdido um olho na sequência dos confrontos.
O cantor também acusou o rei emérito Juan Carlos e Felipe VI, de vários crimes, incluindo homicídio e desvio de fundos.
Em plena pandemia, com as restrições à liberdade de manifestação e de reunião, a polícia teve de intervir dado que os eventos nem estavam autorizados.
As três expedições a Marte, dos Emiratos, China e Estados Unidos já se encontram em órbita e a última a chegar que será a americana vai ter honras de "directo" (que chegará à Terra com seis minutos de atraso) e certamente, com todos os ingredientes que as novas tecnologias devem proporcionar. Na CNN dentro de poucas horas....
E, em noite de "Champions", pela primeira vez na história, os "dragões" levaram de vencida a "vecchia signora" que veio de Turim com o maior do mundo na bagagem, mas CR7 não teve oportunidade para mostrar os seus dotes. Parabéns aos azuis e brancos da Invicta que deram um pontapé na série de resultados menos bons.
E, por falar em pontapé, termino com abri, esta manhã, com FUTEBOL um "aportuguesamento" do vocábulo saxónico FOOTBAL Curioso é que foi dada uma designação para o jogo que está patenteada e em devida referência no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa LUDOPÉDIO do (latim ludus, -i, jogo, +latim pes, pedis, pé + -io).. Mas, nem esta; nem a outra de "BOLA NO PÉ" foi atractiva para o léxico "futeboleiro" a não ser para um clube de futebol de Sevilha que tem o nome de REAL BÉTIS BALOMPIÉ, onde joga o internacional William Carvalho que já foi leão.
E, PRONTO! JÁ CHEGA apre! "chega" salvo seja) é mesmo para acabar

SALAM' ALEIKUM

 


Salam'Aleikum, como sabemos, uma expressão árabe significa "a paz esteja entre vós", usa-se como saudação amistosa, acompanhado de um gesto de mãos juntas à frente do rosto e uma ligeira inclinação da cabeça. Depois de séculos de andar nas bocas não só dos árabes foi-se transformando tanto na escrita como na fonética e também quanto ao significado.
"Salamaleque" o termo aportuguesado no que deu a expressão original que adquiriu uma faceta de exagero gestual e cerimonioso e de algum exibicionismo. Diz-se da pessoa que "faz salamaleques" ou determinada postura que é "cheia de salamaleques".
Talvez, se fosse um árabe a abrir o dia aqui no face, abrisse assim!
Com salamaleque!
Quando comprei "on line", durante o confinamento de 2020, um livro sobre curiosidades da língua portuguesa não imaginava que houvesse tantos vocábulos importados de outras línguas e que se tornaram mais do que vulgares. Nem só a necessidade aguça o engenho, a curiosidade também.
E, recordo o professor de inglês do meu longínquo quinto ano do liceu, cujo nome não recordo, porque entre era sempre o "Teacher" - como os futebolistas chama "mister" ao treinador - um excelente comunicador e sempre transmitindo-nos conhecimentos que ajudassem a perceber as relações entre o inglês e o português.
Ligado ao termo com que se designa, na gíria, as travessas usadas para manter paralelos e fixos os dois carris dos caminhos de ferro que são as célebres "chulipas" ou "sulipas" está o inglês! Estranho? Talvez não.
E, contava a história. Como os caminhos de ferro foram introduzidos em Portugal, durante o reinado de D. Luís I - a linha Lisboa-Carregado - por ingleses, chegaram engenheiros e operários ingleses especializados aos quais se juntaram trabalhadores portugueses que ajudavam no trabalho de transporte e assentamento das linhas. E, então os ingleses sempre que lhes pediam as ditas "travessas" apontavam para os madeiros e com o gesto nomeavam "SLEEPERS" (dorminhoco, em inglês).
Sleeper para aqui, sleeper para ali, os trabalhadores baptizaram as ditas travessas e passaram a designá-las entre si, por "sulipa" ou "chulipa, o que até dava para dar um sotaque diferente ao termo.
Ora para o que me havia de dar. isto mais parece uma abertura cheia de salamaleques; devo ter dormido mal na chulipa...
Para não os maçar mais, hoje, volto noutro dia com mais coisas e loisas.
A propósito, sabem de onde vem esta expressão' Ahhhhhhhh, fica para a próxima... até mais logo!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

É A NOSSA VIDA


 Aqui há tempos li, já não sei onde, que amadurecemos com o passar dos (D)anos; achei graça com aquele "dê" agasalhado nos parêntesis e estrategicamente colocado antes da palavra "anos".

Na vida vamos, de facto, aprendendo mais com os danos que com os anos e é isso que nos dá a resiliência necessária para continuarmos e para não nos repetirmos nos mesmos erros.
Amadurecer sem envelhecer, uma arte caprichosa que poucos sabem levar até ao fim; amadurecer mas sempre vivos como se o futuro não tivesse aquele momento de previsível imprevisibilidade onde tudo acaba.
Sonho por realizar; arrependimento que não tem tempo para ser; um segredo que vai connosco; um amor que se guarda egoísta e único; uma paixão que ficou para sempre no nosso coração como se tivesse memória, o nosso coração...
Na vida, todos temos
um sonho inalcançável
um remorso irreversível
um momento imprevisível
um segredo inconfessável
um amor indivisível
uma paixão inesquecível.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

DOI-ME A VIDA, DOUTOR.

 

A frase proferida por um menino que escrevia versos quando o médico lhe perguntou do que se queixava.
"Dói-me a vida, doutor".
O conto de Mia Couto é a história de um menino triste levado ao médico pela mãe, por ordem do pai, quando começaram a aparecer pelos cantos da casa uns papeis com uns versos escrevinhados. Logo o pai asseverou excessos de cultura, más companhias, mariquices intelectuais.
Quando o médico lhe perguntou como fazia para amenizar a dor, ele respondeu sereno e com um sorriso triste que acordava a sonhar.
"De que vale ter voz se só me percebem quando estou calado? Reparem, então, só no que eu não digo!"
"Dói-me a vida, doutor..."

Anda por aí tanta gente a doer-lhe a vida de tantas maneiras; alguns nem sequer sabem queixar-se onde lhes dói, outros ignoram a dor e vão-se arrastando, sorriso triste, encolher de ombros cansados, perpétua convicção de sofrimento irreparável.
"Dói-me a vida, doutor..."
A chegada do novo ano, o vigésimo parecia trazer selo de garantia depois desse extraordinário feito que foi o abrir as portas do Natal? Descrentes, pessimistas azararam a imprudência. Como podia correr mal (lá estão eles só a pensar só no mal) Mas não! Eram apenas os realistas a falar...
Podem não saber sonhar azul ou cor de rosa mas sabem melhor quando a vida dói.
"Dói-me a vida, doutor.."
Hoje, estamos de novo fechados em casa.
Tentamos replicar os tempos de Março/Abril mas falta-nos já a força de então e sobretudo a novidade, a esperança "isto passa e vamos ficar todos bem!"
Até porque o cerco aperta em volta de cada um quando já é um familiar apanhado pela doença, o melhor amigo que se foi, aquele vizinho que nos dava bons dias todos os dias e que deixou de aparecer.
A vida está a doer-nos muito.
A uns muito mais que a outros, certamente. Mas as dores vão continuar ainda por muito tempo e já poucos se atrevem a recusar a evidência.
Um final de esperança que mantenha a capacidade de sonhar. Felizmente há luar!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

ESTADO DE EMERGÊNCIA PARA QUE TE QUERO (PARTE II)

 

Hoje, inevitavelmente, tenho de me referir à comunicação do senhor primeiro ministro sobre o novo estado de emergência que começa às 00H00 ou será que é às 24H00 de sexta feira? ou será que é às 00H00 de sexta feira ou às 24H00 de amanhã?
Bom! Isso agora não interessa nada!
O que interessa é que depois de tanta expectativa, de tanto "xarivari", de tanta consulta a sábios, a profetas, a partidos, a inteiros e a todos os mais não sei quantos que têm opinião, o senhor veio anunciar que
"A MONTANHA PARIU UM RATO!" ou terá sido uma rata?
Bom! Mas, isso agora também não interessa nada!
Vamos então ao que interessa!
Serviços públicos em atendimento só por marcação (já estavam);
tribunais abertos (já estavam);
escolas abertas (já estavam);
hipermercados, supermercados, lojas de conveniência; padarias; farmácias; restaurantes e cafés/pastelarias com serviços de "take away" (já estavam);
jogos de futebol sem público (já estavam);
malta a "passear" pelas ruas de carro porque vão levar/buscar os filhos/netos à escola (já estavam);
malta a "passear" pelas ruas porque vai comprar pão, vai comprar comida pró cão, vai comprar comida pró gato, vai buscar o almoço, vai buscar o jantar, vai à farmácia, vai ao hiper, vai ao super, vai tomar um café num copo de plástico à porta de um café, vai comprar o jornal, vai meter o euro milhões, vai despejar o lixo, vai passear o cão, vai passear o gato, vai passear o periquito, vai passear-se a si próprio (já estavam). e, agora também pode ir ao dentista (que não estava)! e à missa ou ao culto das seis, das sete ou das oito porque as diversas instituições religiosas se organizaram...(?)
produção industrial e construção civil ficam a funcionar (já estavam)
Teletrabalho para quem pode desempenhar essa função agora OBRIGATÓRIA(?) (já estava - agora acrescenta o obrigatório! quem é que fiscaliza?)
Então o que é que não está???????
Restaurantes e cafés sem take away (já quase não existem, à cause des mouches!);
Cabeleireiros, barbeiros, ginásios (já estavam com poucos clientes)
Comércio não essencial (lojas de trapinhos e sapatinhos)
Nos centros comerciais, as lojas de bens não essenciais como por exemplo vestuário e calçado; livrarias; "ilhas" onde se vende toda a espécie de produtos; cinemas, teatros, casas de espectáculos. não sei se as de telecomunicações estarão encerradas(?)
oficinas de automóveis(?) também não sei...
Entretanto: fronteiras abertas malta a desembarcar nos aeroportos e no portos sem teste válido? sem quarentena? venha de onde vier?
Professores, auxiliares de educação e pessoal administrativo das escolas sem teste, sem vacina?
Então e para que se perceba: agora com MAIS DE 100 MORTOS E MAIS 10.000 "FERIDOS" em média por dia, o senhor primeiro ministro vem anunciar, com pompa e circunstância, "FECHAR MENOS" e por menos tempo que em Março/Abril quando o total diário dos feridos pouco passava da centena e não morriam mais que vinte pessoas em média por dia.
E, sempre contrariando especialistas, epidemiologistas, médicos e até matemáticos dedicados ao
estudo da "coisa", só o senhor primeiro ministro parece esperar obter resultados em duas semanas (anunciadas para já) quando pelo menos seis a oito semanas é o período mínimo para recuar para os 3.000 "feridos" diários do início da crise "natalícia".
Para não falar já nos dois domingos eleitorais que devem ser "pacíficos" pois o nível de abstenção deve bater todos os recordes... mais por culpa dos candidatos do que do corona (digo eu!).
Eu posso estar muito errado mas, sinceramente, o governo conseguiu descredibilizar o "estado de emergência" e o que em Março foi percebido realmente como um período de excepção começa a ser uma coisa corriqueira.... talvez esteja a exagerar mas só um "ratito"!
Perceberam?
Eu não!
Mas, vou continuar a fazer o que fiz até agora que é o que acho que ainda resulta melhor - continuar a andar na defensiva, pois se diminuir o risco e me defender também estou a defender os outros.
A vida não tem preço (como disse o senhor primeiro ministro) mas a economia tem! E muito alto! Tão alto que os modelos económicos e os socias, quando se encontram, é uma "guerra pegada!"
Não é senhor primeiro ministro?