sexta-feira, 4 de março de 2011

Uma tragédia com 10 anos

Ficou conhecido por 'tragédia de Entre-os-Rios' um acidente ocorrido a 4 de Março de 2001, pelas 21 horas, quando um autocarro e 3 veículos ligeiros atravessavam a ponte Hintze Ribeiro foram engolidos pelas águas quando o tabuleiro colapsou. A ponte que fora inaugurada no longínquo ano de 1887 e que ligava as margens onde se encontram as povoações de Entre-os-Rios e Castelo de Paiva, foi alvo de peritagens e o acontecimento de inquérito tendo-se concluído que um dos pilares responsáveis pelo desmoronamento já se encontrava em adiantado estado de degradação por falha de manutenção e não terá resistido ao intenso caudal fruto das chuvas que tinham caído na região e da abertura das barragens do Douro. 
O desastre provocou a demissão do então ministro do equipamento social, Jorge Coelho, do governo de Guterres e, mais tarde, levou a tribunal seis técnicos da Junta Autónoma de Estradas, entidade responsável pela manutenção de obras de arte, para além das estradas. Após cinco anos à espera de sentença, as famílias foram indemnizadas mas, mais uma vez, os arguidos foram todos absolvidos e a culpa 'morreu (uma vez mais) solteira'. Do acidente resultou a morte de 59 pessoas tendo sido encontrados apenas 17 corpos, alguns, vários dias depois e a centenas de quilómetros de distância do local..

Guten Morgen, Frau Merkel

O senhor primeiro-ministro foi a Berlim para um encontro de meia hora com a senhora chanceler alemã que, disse a comunicação social, teria sido chamado por ela. 
Para se perceber a importância deste encontro é necessário lembrar o que se passou antes. E, passaram-se 3 episódios importantes: primeiro, o senhor primeiro-ministro anunciou o êxito extraordinário e inédito de redução da despesa pública em 3,6%. E, ao anunciar este êxito extraordinário agregou-lhe outro, não menos extraordinário – o défice ficaria abaixo dos 4,8% no final do ano. Depois veio outro episódio que é um ‘dêjá vu’ – Portugal não precisa de ajuda externa e sabe muito bem fazer o que tem a fazer, sózinho! Finalmente, o que mais pareceu um não episódio, protagonizado pelo senhor ministro das finanças a meias com o senhor primeiro-ministro – o governo não abdicará de tomar as medidas que forem necessárias para cumprir o défice, ainda que sejam necessárias mais medidas de austeridade. Isto tudo foi dito e redito num curto período de dez dias, antes do encontro com a senhora! 
O senhor primeiro-ministro já nos habituou a estes episódios em que ora tira um coelho da cartola, qual exímio prestidigitador que oferece ilusões como se fossem a realidade, ora se transforma num não menos experimentado vendedor de produtos estragados que com receio que o controlo de qualidade lhe estrague a acção veio logo declarar que se fosse preciso, novas medidas seriam aplicadas para corrigir as fragilidades da qualidade do produto. 
Mas, afinal, o que tem isto a ver com o encontro com a senhora? 
Primeiro, porque o senhor primeiro-ministro tinha de arranjar almofada para potenciais alfinetadas que a senhora Merkel pudesse espetar no senhor primeiro-ministro. Segundo, porque quem é chamado para mostrar o que anda a fazer à matéria, precisa de levar os trabalhinhos de casa escorreitos e a sebenta sem borrões. Terceiro porque precisava de preparar o terreno (e o país) para a hipótese, mais que provável aliás, de trazer umas recomendações, na pasta. 
E, aí estão os três episódios premonitórios. Triunfante com o resultado de Janeiro no orçamento. Fanfarrão com, ‘nós não precisamos de ajudas’ e, finalmente, antecipando a iminência de novas medidas de austeridade. 
O que se passou durante os trinta e três minutos em que o senhor primeiro-ministro de e a senhora chanceler estiveram frente a frente, não se sabe. Mas, no final, lá vieram os dois sorridentes prestar declarações e esclarecimentos sobre a ‘converseta’. Ficou claro que a senhora acha que o senhor primeiro-ministro está no bom caminho, tem feito os trabalhinhos de casa, mostrou a sebenta sem grandes borrões e está muito animado em prosseguir os estudos, por isso uns sorrisinhos bem dispostos, uns elogios amistosos e umas palmadinhas nas costas para dar ânimo. Mas, atenção, as reformas estruturais têm de ser executadas, ou seja, vê-se que tem estudado mas é preciso aplicar-se um nadinha mais. O senhor primeiro-ministro ouviu com desvelo a senhora chanceler falar sobre Portugal e sobre o seu governo como se o país fosse dela e o governo também. O senhor primeiro-ministro tinha aquele sorriso entre o amarelo forçado e o descansado trémulo de quem sabia que se tinha desenrascado no exame mas que ainda faltava passar de ano. 
Já se sabe que o senhor primeiro-ministro não precisa de ajuda e o país também não, por isso fez bem, em ter ido a Berlim, de chapéu na mão. 
Só não se sabe se a senhora acreditou nos coelhos que o senhor primeiro-ministro lhe mostrou, porque que as fanfarronadas devem ser para consumo interno. Ah! E já agora, por consumo interno! 
Reformas aos sessenta e sete anos; flexibilização dos despedimentos; mais austeridade nos apoios sociais; cortes no subsidio de Natal. Que tal irmo-nos preparando para ‘consumirmos’ isto dentro em breve? 

quinta-feira, 3 de março de 2011

A revista TIME é publicada pela primeira vez...

Ficheiro:Time Magazine - first cover.jpg
A primeira edição da Time foi publicada em 3 de Março de 1923 e Joseph C. Gannon, da Câmara dos Deputados dos EUA teve honras de primeira capa. Antes dos seus dois principais concorrentes actuais (Newsweek e People), a Time inventou o conceito de revista semanal de notícias. Foi co-fundada em 1923 por Henry Luce e Bill Hadden que viria a falecer seis anos depois tornando Luce a principal figura na Time e um ícone dos media do século XX. 

Tão amigos que nós somos....

                                             TÃO AMIGOS QUE NÓS SOMOS!!!

O défice orçamental deste ano vai ficar abaixo de 4,6%. O primeiro-ministro garantiu esse objectivo à chanceler Angela Merkel, na reunião de quarta-feira, em Berlim. O défice português pode assim ficar abaixo da média dos países da Zona Euro (4,6%), um trunfo que José Sócrates levou ontem à chancelaria alemã.
Pela primeira vez em vários anos, os dados da execução orçamental apontam para uma queda acentuada da despesa pública, que caiu 3,6% nos dois primeiros meses deste ano, em comparação com o período homólogo do ano passado. Mas neste valor não estão ainda contabilizadas as contas do Serviço Nacional de Saúde e da Caixa Geral de Aposentações. A despesa corrente primária caiu 3,9%, como resultado dos cortes salariais. Ao mesmo tempo, há uma diminuição dos encargos com os juros da dívida pública.
Apesar de não serem ainda conhecidos os números do lado da receita, todos estes factores ditaram uma redução do défice no mês passado.
Com esta nova meta para o défice, Portugal dá o tudo por tudo para tentar convencer os parceiros europeus e os mercados de que as contas públicas vão entrar nos eixos e que o país está em condições de honrar as suas dívidas.



A MERKEL GABA O GOVERNO E OS MERCADOS ACHAM QUE PODEMOS PAGAR MAIS

Juros em máximos depois de encontro Sócrates e MerkelOs juros da dívida pública estão esta manhã de quinta-feira acima da barreira dos 7,5% e a aproximarem-se dos valores mais altos de sempre. Isto apesar da reunião de ontem entre o primeiro-ministro e a chanceler alemã. 

Para Angela Merkel, Portugal «está no bom caminho» para a recuperação económica e rejeita que Portugal seja obrigado a pedir ajuda externa. Uma ideia sublinhada, também, por José Sócrates que disse, num discurso conjunto após o encontro, que Portugal vai ser capaz de resolver os seus problemas «sozinho».
Mesmo assim, os juros da dívida soberana não aliviaram e aproximam-se mesmo dos máximos históricos, atingidos em Fevereiro. E esta tendência atinge tanto a dívida pública de curto como de longo prazo. No caso das Obrigações do Tesouro a 10 anos, as yields estão nos 7,52%, depois de terem tocado os 7,649%, o máximo do dia. Os juros estão cada vez mais perto dos 7,72%, o valor mais alto de sempre atingido durante a sessão de 25 de Fevereiro.
Já na maturidade mais curta, os juros a cinco anos estão nos 7,52%, depois de ter tocado os 7,649%, muito acima dos 7,40%, o máximo histórico atingido também a 25 de Fevereiro.
Acima de Portugal, apenas a Grécia e a Irlanda, países já resgatados pelo fundo da UE/FMI, estão a pagar mais para se financiarem nos mercados. Os juros da dívida a 10 anos grega já ultrapassou os 12% e os da Irlanda sobem acima dos 9%.

PESSIMISTAS! O senhor Sócrates trata já disso!
Não são boas notícias. O Eurostat confirmou esta quinta-feira a contracção de 0,3 por cento da economia portuguesa no quarto trimestre de 2010, que representa ainda assim uma melhoria de 1,2 por cento face ao trimestre homólogo de 2009. Na segunda estimativa do gabinete de estatística das comunidades europeias para as contas nacionais dos Estados membros, também a média para o crescimento da Zona Euro no quarto trimestre (face ao trimestre anterior) foi confirmada em 0,3 por cento (2 por cento face ao quarto trimestre de 2009) e a do conjunto dos 27 países da União Europeia em 0,2 por cento (2,1 por cento face ao quarto trimestre de 2009).
Assim, em comparação entre o terceiro e quarto trimestre de 2010, a economia portuguesa terá tido o quarto pior desempenho entre as 24 economias da União Europeia cujos dados foram disponibilizados pelo Eurostat (Irlanda, Luxemburgo e Malta não têm dados disponíveis para o terceiro trimestre). Atrás de Portugal fica apenas a Grécia (-1,4 por cento), o Reino Unido (-0,6 por cento) e a Dinamarca (-0,4 por cento).

Em comparação entre o quarto trimestre de 2010 e trimestre homólogo de 2009, Portugal apresenta um crescimento de 1,2 por cento, ficando também aqui com o pior desempenho entre os 24 países com dados disponíveis, mas desta vez com protagonistas diferentes no final da lista: Grécia apresenta uma queda de 6,6 por cento, a Roménia de 0,6 por cento, enquanto a Espanha apresenta uma melhoria de 0,6 por cento, metade do registo de Portugal neste período.