terça-feira, 29 de dezembro de 2020

SOBRE OS VELHOS E OUTROS QUE A PANDEMIA AVIVOU

 

Escrevi propositadamente VELHOS.
Não idosos, maiores, seniores ou qualquer outro termo, que os tempos dos preconceitos inúteis determinaram que VELHO passasse a ser uma palavra ofensiva para designar à bruta uma pessoa de um determinado grupo etário?! O Estado, menos virtuoso, manteve a designação cruel e continua a atribuir "PENSÕES POR VELHICE" aos VELHOS!

Quando eu nasci - 1948 - não havia certamente estudos muito fiáveis sobre "ESPERANÇA MÉDIA DE VIDA À NASCENÇA" mas, pela Pordata, em 1960, este índice seria apenas ligeiramente superior aos 60 anos e transcorridos 58 anos, cresceu mais de 20 anos (em 2018 - 81,3 anos).
Por outro lado, em 1971, éramos 8,6 milhões e os maiores de 65 anos, 9,7% ou seja 836 mil habitantes; volvidos 48 anos, (2019) a população com idade superior a 65 anos é de 2,3 milhões, o que representa 22% de um total de 10,3 milhões de residentes em Portugal continental e regiões autónomas.
Mas, este é um fenómeno mundial que se faz sentir ainda com maior incidência numa Europa envelhecida onde o "Estado Social" enfrenta cada vez maiores dificuldades para manter a sua sustentabilidade e continuar a assegurar os seus compromissos de dar uma vida digna aos seus VELHOS!

A pandemia veio reforçar estas preocupações e destapar as inúmeras deficiências; desde muito cedo ficou provado que o vírus na sua "cega" propagação faria mais vítimas nos hospedeiros mais vulneráveis com patologias associadas e, logo, entre estes a esmagadora maioria dos mais velhos entre os VELHOS.
Assim é que os 5880 óbitos com covid-19 na faixa acima dos 70 anos representam 88,1% do total de mortes e acima dos 80 anos morreram por covid-19, 4.521 ou seja 67,8% do total (6.677 mortes até hoje).
Impressionante e muito pouco explicável, a enormidade dos surtos em lares e o número de vítimas ocasionadas. A falta de medidas adequadas

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

ESPÉCIE DE CARTA ABERTA AO MINISTRO CABRITA

 

Excelentíssimo senhor ministro Cabrita,
Saiba Voscelência, não que isso lhe importe muito digo eu com os nervos, que estive a gramar a transmissão em directo da Assembleia da República para discussão e votação do pedido de implementação de novo período de estado de emergência.
E, depois dos senhores deputados dos diferentes partidos e já agora daqueles que ficaram voluntariamente sem partido mas não ficaram sem o empregozinho pois continuam voluntariamente como se nada fosse, terem botado discursos mais ou menos iguais para as razões do costume, eis que Voscelência sobe a tribuna, impante com o seu ar de despenteado mental e de homem que está ali para pegar o boi pelos cornos (perdoe-me Voscelência o linguajar por ventura atrevido, salvo seja o "ventura", chiça, dizia eu, sobe Voscelência ao palanque para nos dizer das razões do pedido do governo e sobretudo do imenso sucesso das medidas tomadas até á data.
Voscelência, sôr ministro Cabrita, perdoar-me-á o deslize, não veja má vontade na minha observação mas, hoje pareceu-me um bocadinho mais alucinado do que o costume, tanto mais que a determinada altura até pensei que Voscelência tenha andado estes últimos meses na China ou coisa que o valha.
É que sôr ministro Cabrita, Voscelência acha que nós os portugueses andam a portar-se tão bem mas tão bem que em dez milhões ter mais de quatro mil infectados diariamente e andar acima das oitenta mortes é bom sinal? Ou será que Voscelência quis dizer que andamos a testar menos??????????
E é sobretudo um sinal muito positivo as forças de segurança terem apenas identificado e detido sessenta cidadãos que andavam a passear sem o cão a altas horas?
E que é um excelente sinal o "erre" não sei das quantas estar abaixo de um porque assim só o Macron é que infecta o Costa, no estrangeiro e por cá um infectado só consegue infectar zero vírgula nove de outra pessoa?
E que é um maravilhoso sucesso do governo durante a emergência ter integrado - seja lá o que isso queira dizer - mais de duzentos mil imigrantes e que até só temos a relatar uma morte, numa sala de aeroporto, de um imigrante e nem sequer foi de covid? Se calhar foi de excesso de integração?
E que vai continuar a ser um sucesso estas medidas de uma "democrática emergência" em que ninguém sabe muito bem o que se pode e o que não se pode fazer, a uma semana da tal noite natalícia que está aí mesmo ao virar da esquina?
E, sobretudo Voscelência acha um êxito extravagante este "lavar de mãos" sobre o que se está a passar realmente no país que agora olha para a vacina e para a bazuca com a esperança de que nem as vacinas falhem a esperança nem os morteiros da bazuca falhem os alvos.
PORQUE SÔR CABRITA - e desculpe-me os gritos mas é para chamar a atenção de Voscelência, MAIS PARECIA O MINISTRO DA PROPAGANDA QUE UM MEMBRO DE UM GOVERNO QUE SABE O QUE ANDA A FAZER COM A PANDEMIA E QUE ENQUANTO A EUROPA SE FECHA, O SÔR VEM PARA AQUI DIZER QUE ISTO É DEMOCRÁTICO E NO RESPEITO PELA LIBERDADE É PRECISO É SERMOS RESPONSÁVEIS!!!
O sôr Costa também se fartou de apelar à responsabilidade e foi contaminar-se a França? Que azar! Que merda! Assim até eu posso infectar-me a tomar uma bica e a comer um croquete no café aqui de fronte... e sempre com a maior das responsabilidades!
Tenha Voscelência um exponencial dia e cuide-se!
E aceite os meus protestos cumprimentalícios para um excelente Natal e um próspero Ano Novo.


terça-feira, 15 de dezembro de 2020

HODIAU GII TAGO EN ESPERANTO


Hodiâu gii tago en esperanto, lingvo pli parolata en cîen mondo!

("hoje é o dia do esperanto a língua mais falada em todo o mundo").


A palavra “Babel”, hebraica, vem de balal que significa confundir. 

Uma passagem bíblica que diz respeito à comunicação entre os povos está relatada no capítulo onze de Gênesis onde, de acordo com as escrituras, todos os povos à face da terra tinham um único idioma e não tinham dificuldade em comunicar quando um grupo partiu para o oriente e passaram a morar numa extensa planície junto ao Sinai. 

Começaram, então, a edificar uma uma torre e diziam que o topo tocaria os céus para que chegasse a Deus. Após esta decisão, há o relato de que o Senhor desceu para ver a torre que estavam construindo e então Ele zangou-se com a ambição desmedida dos homens e disse “Eis que o povo é um e todos têm a mesma linguagem. E isto apenas lhes deu desejo de cobiça e grandeza. Pois, deixareis de vos compreender e ouvir as vossas falas serão confundidas, para que um não entenda a língua do outro” (Gn 11,6:7). 

Assim, os homens deixaram de se entender e a "Torre de Babel" ficou pelos alicerces.

Que tem isto a ver com o Esperanto? 

LUDWICK ZAMENOHFF nascido em Varsóvia a 15 de Dezembro de 1859 engendrou uma língua auxiliar que pudesse ser falada, em todo o mundo, e unisse as pessoas e os povos. Ambição cujo sucesso seria mais bem entregado a um deus e assim surgiu em 1887 a publicação de U UNUA LIBRO, (O Primeiro Livro) cujo autor prefaciava o objectivo de quebrar as barreiras linguísticas e unir os diferentes povos.
Hoje estima-se que cerca de 20 milhões de pessoas não fluentes e 6 milhões de falantes fluentes.
Utilizado em cartas, intercâmbios culturais, convenções, transmissões de rádio e de televisão e outros eventos onde se fale mais do que um idioma nunca atingiu os objectivos a que se propunha o seu criador.

I LIKE BEAUCOUP DE BANANA BECAUSE N' A PAS DE CAROÇOS|!
não é esperanto mas é espantoso!
Havi an bonega nokto!!!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

DIA MUNDIAL DO MACACO

 

É VERDADE, NÃO ESTRANHEM!
Hoje, embora não oficialmente, é o "dia mundial do macaco"
Em 2000, quando o cartoonista norte americano Casey Sorrow escreveu por brincadeira “Dia do Macaco” no calendário de um amigo e desde esse dia vários amigos e outros estudantes de arte da Universidade do Michigan começaram a celebrar o dia.
A brincadeira, com a introdução da data em bandas desenhadas de Casey e de outros cartoonistas, foi ganhando visibilidade e com a internet, foi conquistando apoios e adeptos ao longo destes 15 anos, e actualmente já conta com o reconhecimento de organizações não governamentais e de defesa dos animais.
Este é assim um dia de "macadadas" mas também com o principal objectivo, este ano, de alertar a sociedade para a protecção de macacos que são utilizados em testes médicos.
Façam 'macacadas' à vontade (pelo menos hoje!)

EU E OS MEUS FANTASMAS

 

Andava às voltas, na semiobscuridade do quarto e quando se reflectia no espelho da porta do roupeiro, parava a olhar esse vulto de fantasma sem sono.
Os fantasmas não têm sono! Tanto que só andam de noite e, de preferência, no escuro. Por isso, ou dormem durante o dia ou não dormem de todo. E, se não dormem é porque não têm sono!
Acabava por se deixar cair, pesadamente de costas, no sítio onde o colchão que lhe servia de cama, devia estar.
Era uma daquelas quedas que se vê nos filmes mas nesses não se vê o colchão para dar a sensação de queda fatal---
Já tentara, por várias vezes, alguns truques para adormecer mas não conseguia...tinha de lhe telefonar ainda.
Sabia que era tarde... nem olhava para o relógio digital em cima da mesa baixa ao lado do candeeiro com a lâmpada à vista e o quebra-luz meio amolgado, no chão.
Ela atendia sempre ao terceiro ou quarto toques.
Voz quente meio ensonada. Quase murmúrio. "És tu.....?"
Ele respondia numa breve hesitação: "Sim....desculpa!
E ela: "Não tem importância......diz....."
E ele dizia uma série de disparates enquanto lhe adivinhava um sorriso ou, por vezes, um bocejo de espanto.
Quanto tempo estava naquilo? Falava. Apenas, falava..
Depois, no receio de que, entretanto, ela tivesse adormecido, despedia-se: "Até amanhã; desculpa. Precisava mesmo de falar contigo". Umas vezes terminava com um beijo.
Desligava, sem sequer esperar por resposta.
Era assim. E, no entanto, nunca estivera com ela!
Trocaram amizade na rede social e mensagens no chat, ate que uma vez, trocaram números de telemóvel....foi assim que tudo começou. Só que nunca se iriam encontrar.
Ele só queria conversar...apaixonara-se por aquela voz calma, suave, linda assim ensonada.
Era tudo! Preferia continuar fantasma sem sono.